"A meta final do JUDÔ KODOKAN é o aperfeiçoamento do indivíduo por si mesmo, desenvolvendo um espírito que deve buscar a verdade através de esforço constante e da sua total abnegação, para contribuir na prosperidade e no bem estar da raça humana" "Nada sob o céu é mais importante que a educação. Os ensinamentos de uma pessoa virtuosa podem influênciar uma multidão; aquilo que foi bem aprendido por uma geração pode ser transmitidas a outras cem." Jigoro Kano

Hugo Mello da Silva


O Professor Hugo Mello da Silva iniciou sua participação no judô através da luta livre, influenciado pelo fato de ser vizinho do Clube de Regatas Flamengo, onde havia um ring de boxe e de luta livre. Corria o ano de 1936, e as lutas principalmente as de boxe eram realizadas no “Campo do Russo”, onde hoje se encontra a estátua de São Sebastião e a Rádio Globo.
Quando convidado passou a praticar a luta livre, já que tinha o Clube Flamengo uma equipe muito forte fisicamente e toda ela composta por associados, sofreu, apanhou muito no início esse nosso personagem, porém havia também um adepto do levantamento de pesos que o convidou para praticar essa modalidade, prometendo que ele ganharia força, resistência e potência física. Depois de três anos, por volta de 1940, então com dezoito anos de idade, veio a constatar que realmente havia ganhado todas essas qualidades e que os companheiros de luta livre já não podiam mais competir com ele. A prática do levantamento de pesos realmente o levou a adquirir um excelente preparo físico que muito aumentou sua capacidade de luta, inclusive a luta no chão.
Conta ainda o prof. Hugo que em determinado dia quando acontecia uma competição no Clube de Regatas Flamengo, Augusto Cordeiro e Antônio Alves foram visitar o clube e então um grupo de seus companheiros sabendo que ambos eram do judô, isentos de esportividade e respeito pelos visitantes, queriam a todo custo desafiá-los para lutar, contra o que ele se insurgiu, fazendo-os verem que aquele procedimento indigno, uma maneira que não era correta de receber os visitantes, fossem eles quem fossem. E o desafio foi esquecido! É de se constar também que, já nesse tempo dado o seu progresso em técnica, força e potência física, quando havia competições com lutadores mais fortes era sempre o professor Hugo quem os enfrentava.

O Prof. Augusto Cordeiro, impressionado com o seu desempenho, em 1943, o convidou para praticar judô e ensinar para eles a luta de chão da qual era exímio. Aceitado o convite, passou a praticar a nossa arte, o que veio a solidificar também uma grande amizade entre ele, Cordeiro e Antônio Alves.

Foi no Rio de Janeiro que em 17 de julho de 1923, nasceu o prof. Hugo Mello da Silva, filho de Antônio Mello da Silva e D. Maria de Almeida da Silva. Hoje casado com D. MARLENE PESSOA ROCHA, resultando desse casamento os filhos Carlos Alberto e Luiz Antônio, ambos judoístas e shodan. Carlos Alberto foi campeão carioca e brasileiro numa época em que disputava a hegemonia de sua classe com o extraordinário Carmona; convocado para as olimpíadas de Moscou em 1980, não aceitou porque já formado em Educação Física foi chamado a ensinar no Instituto Bennett. Luiz Antônio colabora hoje no Centro Educacional da Lagoa no bairro do Jardim Botânico.
Aproximadamente no ano de 1950, foi este nosso professor ministrar aulas na Academia Romana, lá permanescendo por quatro anos. Logo passou para o Caetés Tênis Clube, e ainda para a associação Bento Lisboa no bairro do Catete. Foi também quando iniciou sua participação dos campeonatos de São Paulo, campeonatos esses por equipes, tendo um deles um fato curioso: Despretensiosa e modesta a equipe carioca chegou sem alarde e praticamente ignorada por todos os presentes, todos olhando com admiração as fabulosas equipes de São Paulo. Veio então o primeiro encontro e ganharam, depois o segundo e no terceiro já estavam todos olhando com respeito e admirando aquela equipe desconhecida do Rio de Janeiro; ganharam a quarta e a quinta, aí já estavam todos assombrados com aquela equipe composta de atletas desconhecidos. Porém para alívio dos assustados paulistas, vieram a perder a luta final, entretanto com um honroso segundo lugar, cujo certificado foi então assinado pelo prof. Yoshio Kihara. Foi realmente sensacional ganhar dos paulistas que eram tidos com imbatíveis. Atualmente, tem o Rio de Janeiro um desenvolvimento muito grande, extraordinário mesmo graças ao trabalho do professor Joaquim Mamede de Carvalho e Silva presidente da Confederação Brasileira de Judô e de Ney Wilson Pereira de Silva, Presidente da Federação de Judô do Rio de Janeiro.

É interessante registrar aqui que o professor Hugo Mello da Silva tem convicções interessantes e um tanto diferentes de outros professores que acham que a divisão de pesos não é salutar, e que veio em detrimento da condição técnica. Não concordando com isso, acha que muita técnica sem um mínimo de força nada adianta; o fraquinho ganhar do forte, não é bem assim! Também quanto à observância da filosofia, acha que temos que considerar que estamos em outra época, em condições e costumes diferentes, e que, também no Japão, já não é como antes, pois tudo nesse mundo é evolutivo e sofre mudanças com o correr do tempo ou a condição perdida. Hoje por exemplo, já não é mais possível aquela disciplina rígida em que o aluno quando perdia apanhava na cara.

Sobre os fatos acima, conta este nosso professor que quando foi para a academia Cordeiro levou consigo o seu equipamento, os pesos com a intenção de lá continuar os seus treinamentos com este material. Porém Cordeiro não queria aceitar, e só com muita insistência acabou permitindo, mas com restrições. Depois, alguns alunos começaram a usá-los e sentiram que, principalmente quando a luta era de chão, para sair de uma pegada, para passar a guarda para segurar a pegada e outras técnicas mais, a força também é de fundamental importância. Hoje, até os nadadores e competidores de outros esportes mais fazem o trabalho de desenvolvimento muscular com pesos.

Devemos lembrar ainda que quanto às arbitragens, eram os professores Hugo e Rudolf Hermanny muito respeitados e requisitados para as competições dadas as suas competências e imparcialidade, e ainda a carência de árbitros na época. Como um alerta para aqueles que pretendem ser árbitros, deixa o recado de alerta de que devem aprender simplesmente tudo o que se relaciona com o judô, ser imparcial, pois para um jovem que se prepara meses e anos para competir, não pode um erro intencional ou não prejudicar toda uma dedicação, todo um esforço, toda a esperança de um desempenho vitorioso. Isso iria feri-lo profundamente e possivelmente ocasionar a desistência de um possível campeão. Porém dessa sua passagem pelo judô, guarda e sempre ficarão na sua lembrança os nomes de pessoas que admira e teve o privilégio de compartilhar a sua vida como os companheiros Hermanny, Kawakami, Kurachi, Cordeiro e Hélcio Gama, este que era o proferido pelas crianças, mesmo com seu porte avantajado e não muito bonito, mas que para as crianças era com quem mais simpatizavam.

De tudo, reconhece que o professor Mamede e o Prof. Ney muito o ajudaram e prestigiaram e que na estrada percorrida, nenhuma mágoa ficou, só permanecem as boas lembranças! (passagem extraída do livro “Personagens e Histórias do Judô Brasileiro de Stanley Virgílio, ed. Átomo, São Paulo 2002). 21) 2551-6983
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