"A meta final do JUDÔ KODOKAN é o aperfeiçoamento do indivíduo por si mesmo, desenvolvendo um espírito que deve buscar a verdade através de esforço constante e da sua total abnegação, para contribuir na prosperidade e no bem estar da raça humana" "Nada sob o céu é mais importante que a educação. Os ensinamentos de uma pessoa virtuosa podem influênciar uma multidão; aquilo que foi bem aprendido por uma geração pode ser transmitidas a outras cem." Jigoro Kano

Judo Tradicional (Texto adaptado por José Franco)


Bem-vindo ao mundo do judô visto através de outros olhos!
(arvore do judo, ao lado)

Judo teve origem em 1882 por um japonês educacionalista que era na altura o mais famoso no Japão. Jigoro kano (1860-1938) treinou ju-jutsu em diversas escolas e estilos e através dos seus conhecimentos desta arte marcial dividiu um método seguro de pratica física, adicionando certos princípios e completando uma nova filosofia, fazendo do “do” um caminho, Jutsu significa arte, Kano Shihan queria que o seu judo fosse mais do que uma arte, fosse também um método de vida onde todos os judocas pudessem aprender auto-disciplina, psicologia, filosofia e educação em todos os aspectos. A educação para kano era “a comida da vida”. O kodokan foi fundado como instituição educacional, livre de interesses financeiros, com o objectivo de facilitar o estudo e a pratica do judo nos aspectos físico, mental e ético, elevando o judo como científico e progressivo na máxima da “máxima eficiência com esforço mínimo”. GUNJIN KOIZUMI 8ºdan (fundador da união europeia de judo) em “my study judo” Ao descrevermos o judo como desporto é o mesmo que descrevermos Michel Ângelo e Leonardo DA Vinci como pintor de casas e pedreiro. Para kano Shihan o judo era uma forma de educação para a vida. Foi bem ajustada ao dia a dia, enfrentando crises fora do tatami com igual determinação e habilidade mostrada dentro do tatami. Judo é uma vida de estudo do “dô” não começa apenas no início dos treinos e termina com estes, mas sim quando acordamos, durante o dia e até nos deitarmos. Como pensaria Jigoro kano do judo de hoje em dia? Respeitosamente, creio que infelizmente ele não o reconheceria, pois não é nada do que ele começou. Porquê? Existem muitas formas de responder a esta questão, mas vamos abordar algumas. Vencer a todo o custo sem a preocupação de aprender, preocupação material “medalhas”, custou a vida do “tradicional” judo. “A máxima eficiência com esforço mínimo”, foi trocada por muitas horas gastas em ginásios onde se cultiva a “ignorância” dos músculos, tendo sido esquecidos os ensinamentos fundamentais deixados por Kano Shihan. O Kata transformou-se numa pequena palavra lembrada apenas para fazer graduação. Judo é obviamente muito mais que isso, é aprendizagem, pratica, uchicomi(repetições), randori(treino combate),mundo waza( perguntas, leitura), e claro também SHIAI(competição). Shiai é a forma que os judocas têm de verificar a eficiência física e técnica em combate, experimentarem os conhecimentos adquiridos, deve ser visto como uma parte importante do judo, mas nunca apenas a ÚNICA! A parte principal do judo é formar pessoas com carácter, compaixão, não resistência, respeito, fisicamente mostrar-se capaz de ajudar os outros e contribuir para uma sociedade melhor. ”Elevação da arte para um principio”Jigoro Kano “No treino do judo é importante treinar o corpo e cultivar a mente através dos métodos de ataque e defesa e tornar estes os seus princípios, contribuindo através destes para a paz do mundo, sendo este o estudo principal do judo” Jigoro Kano.


Um pouco de História:

No Japão, nos tempos feudais, existiam guerreiros muito famosos, corajosos e fortes que eram os SAMURAI.

Quem eram os Samurais?

Os samurais foram os guerreiros do antigo Japão feudal. Existiram desde meados do século X até a era Meiji no século XIX. O nome "samurai" significa, em japonês, "aquele que serve". Portanto, sua maior função era servir, com total lealdade e empenho, os daimyo (senhores feudais) que os contratavam. Em troca disso recebiam privilégios terras e/ou pagamentos, que geralmente eram efectuados em arroz, numa medida denominada koku (200 litros). Tal relação de suserania e vassalagem era muito semelhante à da Europa medieval, entre os senhores feudais e os seus cavaleiros. Entretanto, o que mais difere os samurais de quaisquer outros guerreiros da antiguidade é o seu modo de encarar a vida e seu código de ética próprio.Inicialmente, os samurais eram apenas cobradores de impostos e servidores civis do império. Eram precisos homens fortes e qualificados para estabelecer a ordem e muitas vezes ir contra a vontade dos camponeses. Posteriormente, por volta do século X, foi oficializado o termo "samurai", e este ganhou uma série de novas funções, como a militar. Nessa época, qualquer cidadão podia tornar-se um samurai, bastando para isso adestrar-se nas artes marciais, manter uma reputação e ser habilidoso o suficiente para ser contratado por um senhor feudal. Assim foi até o xogunato dos Tokugawa, iniciado em 1603, quando a classe dos samurais passou a ser uma casta. Assim, o título de "samurai" começou a ser passado de pai para filho.Após tornar-se um bushi (guerreiro samurai), o cidadão e sua família ganhavam o privilégio do sobrenome.
Além disso, os samurais tinham o direito (e o dever) de carregar consigo um par de espadas à cintura, denominada "daishô" : um verdadeiro símbolo samurai. Era composto por uma espada pequena (wakizashi), cuja lâmina tinha aproximadamente 40 cm, e uma grande (katana), com lâmina de 60 cm. Todos os samurais dominavam o manejo do arco e flechas. Alguns usavam também bastões, lanças e outras armas mais exóticas.Eram chamados de ronin os samurais desempregados: aqueles que ainda não tinham um daimyo para servir ou quando o senhor dos mesmos morria ou era destituído do cargo.Os samurais obedeciam a um código de honra não-escrito denominado bushidô (caminho do guerreiro). Segundo esse código, os samurais não poderiam demonstrar medo ou cobardia diante de qualquer situação.
Havia uma máxima entre eles: a de que a vida é limitada, mas o nome e a honra podem durar para sempre.
Por causa disso, esses guerreiros prezavam a honra, a imagem pública e o nome de seus ancestrais acima de tudo, até da própria vida.
A morte, para o samurai, era um meio de perpetuar a sua existência.
Tal filosofia aumentava a eficiência e a não-hesitação em campos de batalha, o que veio a tornar o samurai, segundo alguns estudiosos, o mais letal de todos os guerreiros da antiguidade.
Talvez o que mais fascine os ocidentais no estudo desses lendários guerreiros é a determinação que eles tinham em freqüentemente escolher a própria morte ao invés do fracasso.
Se derrotados em batalha ou desgraçados por outra falha, a honra exigia o suicídio em um ritual denominado haraquiri ou seppuku.
Todavia, a morte não podia ser rápida ou indolor.
O samurai fincava a sua espada pequena no lado esquerdo do abdômen, cortando a região central do corpo, e terminava por puxar a lâmina para cima, o que provocava uma morte lenta e dolorosa que podia levar horas. Apesar disso o samurai devia demonstrar total autocontrole diante das testemunhas que assistiam o ritual.
A morte, nos campos de batalha, quase sempre era acompanhada de decapitação.
A cabeça do derrotado era como um troféu, uma prova de que ele realmente fora vencido.
Por causa disso, alguns samurais perfumavam seus elmos com incenso antes de partirem para a guerra, para que isso agradasse o eventual vencedor.
Samurais que matavam grandes generais eram recompensados pelos seus daimyo, que lhe davam terras e mais privilégios.
Ao tomar conhecimento desses fatos, os ocidentais geralmente avaliam os samurais apenas como guerreiros rudes e de hábitos grosseiros, o que não é verdade.
Os samurais destacaram-se também pela grande variedade de habilidades que apresentaram fora de combate.
Eles sabiam amar tanto as artes como a esgrima, e tinham a alfabetização como parte obrigatória do currículo.
Muitos eram exímios poetas, calígrafos, pintores e escultores.
Algumas formas de arte como o Ikebana (arte dos arranjos florais) e a Chanoyu (arte do chá) eram também consideradas artes marciais, pois treinavam a mente e as mãos do samurai.

Que ligação têm os Samurais ao Judo?

Os Samurai eram os maiores especialistas em técnicas de combate com e sem armas.
Cada clã tinha uma especialização das suas técnicas de combate.
Uns especializavam-se em arco e flecha (Kyudo), outros em lanças (Naginata), uns andavam a cavalo e outros a pé.
Duma forma geral, os Samurais preparavam-se para não morrer, pois normalmente num combate um dos combatentes não sobrevivia, então, além de serem especialistas no manuseamento de armas, estudavam as artes marciais, nas artes marciais, cada escola (ryu) tinha uma especialização (projecção, imobilização, estrangulamentos, chaves, socos, pontapés, etc) e a denominação comum e geral para cada Ryu (escola) era Jujutsu (Ju) suave (Jutsu) arte, ou seja, eram técnicas que não requeriam muita força.



Após a 2ª Guerra Mundial foram proibidos o uso e transporte das armas Samurai.
Como estas eram o símbolo máximo do Samurai e com a sua abolição, muitos Samurai, ficaram no desemprego e perderam os seus “Senhores”.
Para sobreviver, uns faziam demonstrações públicas, outros lutavam em troca de dinheiro, e com este cenário o Jujutsu ficou muita má reputação, foi considerado deselegante, rude e coisa do passado.

O que é o judo?

O JUDO é uma arte marcial de origem Japonesa.
Judo teve origem em 1882 por um japonês educacionalista que era na altura o mais famoso no Japão.

A palavra Judo traduzida para português significa “caminho suave” JU suave DÔ caminho, via.
Este “caminho” foi idealizado pelo criador do judo, como o caminho da vida!

Como Nasceu o Judo ?

O Dr. Jigoro Kano, fundador do judo, nasceu na cidade de Mikage na prefeitura de Hyogo, em 28 de Outubro de 1860.
Ele era baixo e fraco (falam de 1,58m e 50kg), era frequentemente alvo de agressões e foi com estas características que aos 17anos decidiu iniciar os seus estudos em Jujutsu.
Procurou vários mestres, e tentou convencer um Samurai a ensinar-lhe as suas técnicas, mas este recusou e disse a Kano que Jujutsu era coisa do passado.
Kano, absolutamente convicto continuou a procurar, até que um dia, Sensei Teinosuke Yagi era seu primeiro professor.
Aos 18 anos de idade entrou para o dojo de Tenshin-Shinyo ryu com Sensei Hachinosuke Fukuda, estudou a tradição de Kito ryu sob a orientação de Sensei Iikubo, este adoeceu e viria a morrer mais tarde e foi assim que Kano se apoderou dos seus DENSHO (livros secretos).
Continuou a estudar jujutsu com outros mestres e a meio dos seus vinte e poucos anos, Shihan Kano já conhecia alguns DENSHO (livros secretos) de algumas famosas Ryu (escolas).
Shihan Kano nunca viu as artes marciais como um meio indicador de força ou de superioridade física.Como um pacifista, estudou-os para encontrar uma maneira de viver na paz com outros seres humanos.
Em sua juventude Kano estudou Jujutsu sob um número de mestres diferentes, porém o estudo frequente de diversas escolas deixou-o em busca da perfeição, pois não conseguia encontrar em nenhuma das escolas onde aprendera ,essa perfeição.
A busca de Kano para um princípio unificado para as técnicas que aprendeu conduziu-lhe ao primeiro princípio do judo
Seiryoku Zenyo (eficiência máxima no uso da energia mental e física).
A ele, somente as técnicas que mantinham este princípio de gastar pouca energia física e mental deveriam ser incorporadas no seu sistema.
Ele acreditava que a energia de um oponente se deveria virar contra ele próprio.
Então, através do estudo continuado e compilado de todos os segredos, decidiu criar o seu próprio sistema ou arte (Ryu)
Para Kano, o seu novo sistema era mais que uma arte (jutsu), era a elevação da arte para um princípio, via ou caminho (do)
Este caminho seria o caminho na busca da perfeição técnico e pessoal (judo).
Para ensinar e Propagar a sua arte Kano fundou o Kodokan (a "escola para aprender a maneira") no templo de Eishoji em 1882.

Kano construiu o seu sistema em três bases principais de técnicas e considerou o "seu sistema" o mais eficaz de todos eles, este incluía os maiores segredos das escolas que estudara, como, projectar (nague waza), luta de controlo ( katame waza), golpear com o corpo (atemi waza).
Aproveitou apenas as técnicas mais eficazes.
Retirou as técnicas mais perigosas (para quem as executava), Kano através do seu estudo nas outras Ryu, encontrou técnicas que eram perigosas a quem as executava, que eram úteis em situação de guerra, porém ineficazes na aprendizagem do seu Sistema, e decidiu retirá-las ou alterá-las para o seu sistema.
Criou técnicas novas eficazes de acordo com o seu princípio
Adaptou as que aprendeu com os seus mestres e segredos.
Criou o judogui (fato judo), para uma prática mais segura e evitar as frequentes queimaduras sofridas durante o treino de jujutsu.
Decidiu acabar com a côr preta comummente usada no jujutsu, por o branco ser a côr que inspirava a paz, a pureza, e o dojo ser um local de procura pela “iluminação” espiritual.
Decidiu também que todos deveriam usar apenas o judogui, e retirar o Hakama (saia preta), porque o Hakama era um símbolo de Alta Classe Social, e na prática do judo, todos eram iguais, independentemente dos ideais ou classes sociais.
Criou uma forma estrutural e organizada de ensino de todas técnicas, e dividiu-a por classes e ordem de ensino.
Assim o seu sistema era dividido por secções e consistia numa lógica de ensino do mais fácil ao mais dificíl.
Criou o sistema de graduações Kyu e Dan (cintos abaixo cinto negro e negro)
Criou um código ético moral para todos os alunos e só aprendia judo, quem estivesse disposto a aceitá-lo.

Kano esperava que todos os instrutores e alunos no Kodokan fossem reconhecidos por exemplos de bom carácter, de conduta honesta, que fossem pacifistas e não se envolvessem em confrontos que desonrassem a escola.




Kano criou um sistema de ensino que acreditava contribuir para a Humanidade :

Randori (pratica e teste livre de todas as técnicas )
Kata (formas pré-definidas de defesa e ataque considerando os aspectos rituais e filosóficos da arte)
Ko (leitura sistemática, busca da intelectualidade herdada da classe bushi (guerreira) )
Mondo (períodos de pergunta e resposta, busca de soluções e aperfeiçoamento)


Quantos tipos de Judo existe, qual a diferença do judo na Academia Total Combat?

Nós ensinamos judo tradicional, marcial e não desportivo”
Na realidade judo tradicional, não existe é todo ele!Pois não são conhecidos mais de que um ryu (escolas), além do kodokan.Nós dizemo-nos tradicionais por nos diferenciarmos do "novo Kodokan", preservamos o "Antigo Kodokan", ou por outras palavras o "Kano Ryu."
Para perceberem melhor, aqui vou explicar brevemente as diferenças do "antigo" e "novo" kodokan.
Antes da 2ª guerra mundial o judo era ensinado como arte marcial, e no Kodokan ensinava-se a "verdadeira" arte criada por Jigoro Kano.
Com o inicio da guerra as altas patentes militares pediram a Jigoro kano, para que este ensinasse a sua arte aos militares, para a guerra, e este imediatamente, respondeu que NÃO, pois esse não era o propósito do Judo .Segundo este o Judo servia para preservar a PAZ e não o contrário.
Devido a esta atitude, o kodokan foi mandado encerrar e sensei Kano foi directamente falar com o imperador, e pedir-lhe para que este não utilizasse o"seu" kodokan, para ensinar militares.
O imperador por grande admiração a Kano, concordou, mas com uma resposta muito diplomática lhe disse:"sim, kano, enquanto fores vivo o kodokan não será utilizado",
Curiosamente Jigoro Kano morreu meses mais tarde, "supostamente"de pneumonia a bordo de um navio, quando regressava do Cairo de uma reunião do Comité Olímpico Internacional (interessantes são alguns relatos, que dizem que este nunca foi visto doente a bordo), curioso é também o facto de que logo após a sua morte o kodokan foi reaberto com autorização do governo( novo kodokan), mas apenas para ensino como modalidade desportiva.
Pouco foi o tempo depois para este se tornar "modalidade olímpica" e isto custou a (vida) do velho kodokan.O materialismo apoderou-se dos princípios, e o verdadeiro espírito e arte morreram.
FELIZMENTE, algumas das mais altas graduações do "velho sistema", insistiram em manter os princípios herdados por JIGORO KANO, e institucionalizaram-se sozinhos, apesar de se sentirem sempre um "alvo" a abater por grandes pressões politicas.
Foi desta forma que passaram a chamar o "velho sistema" de TRADICIONAL.Nos correntes dias não são apenas as altas graduações do velho SISTEMA a sofrer pressões,de qualquer tipo, mas somos todos nós, ditos tradicionalistas que renegamos a "lei do materialismo"e preservamos o BUDO como arte e disciplina.

O que vamos aprender no judo:

O judo é uma escola, porém uma escola diferente das normais, é uma escola da vida!

Nesta escola aprende-se a andar, cair, falar, ouvir, tocar, sentir e pensar.
Aprendemos tamben a ter disciplina e controlo de nós próprios.
Aprendemos a escolher o bem em vez do mal.
Aprendemos a respeitar os outros.
Vamos aprender a defendermo-nos, e aos outros.

Quanto a técnicas

Vamos aprender muitas formas de:

Projectar (mandar ao chão) com as mãos, pés, pernas e ancas.
Vamos aprender a dar ataques especiais com as mãos, pés, joelhos e pernas e cotovelos
Vamos aprender a imobilizar (segurar no chão) de muitas formas
Vamos aprender a fazer estrangulamentos no chão e em pé
Vamos aprender a fazer chaves (técnicas que partem os ossos) ás mãos, braços, pernas, pés e dedos
Técnicas de defesa pessoal
Técnicas de reanimação


José Franco
Pinguinhas2001@hotmail.com
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1 comentários:

Isso sim que é história.
Parabéns
http://www.judofamiliafontes.com
http://wwwmaisquevencedores.blogspot.com