"A meta final do JUDÔ KODOKAN é o aperfeiçoamento do indivíduo por si mesmo, desenvolvendo um espírito que deve buscar a verdade através de esforço constante e da sua total abnegação, para contribuir na prosperidade e no bem estar da raça humana" "Nada sob o céu é mais importante que a educação. Os ensinamentos de uma pessoa virtuosa podem influênciar uma multidão; aquilo que foi bem aprendido por uma geração pode ser transmitidas a outras cem." Jigoro Kano

VERDADE OU MITO ?









A história das artes marciais são cheias de mistério,lendas e mitos, muitas chegam a ser nebulosas, é o caso do Brasilian Jiu-jitsu, o estilo brasileiro de "Ju-jutsu" que nasceu do Judô Kodokan,eu estava navegando em sites sobre artes marciais e me deparei com uma publicação do Reyson Gracie (Fundador do Jiu-Jitsu no Amazonas), está publicado no site da Confederação Olimpica de Jiu-jitsu, eu já havia lido algumas publicações sobre a origem do ju-jutsu, mas confeço que essa ganha de longe todas as outras que li em termos de falta de informação histórica e cultural.
Nela o autor faz um festival de desinformações a respeito da própria arte que pratica, e o pior, despreza outras artes marciais e seus criadores...
Colocarei parte dos textos descritos no site e analizaremos cada uma das afirmações baseadas em fatos históricos...
VERDADE OU MITO ?

1)-"Conheça um pouco da história do Jiu-Jitsu
JIU-JITSU – “Pai de todas as lutas”
Breve Histórico do JIU-JITSU – de 500 A.C. até nossos dias. (cerca de 2400 anos de existência)
JIU-JITSU é uma perfeita arte científica marcial de defesa pessoal. Em combate real é invencível contra qualquer modalidade de luta. É superior a todos os demais estilos por ser o mais completo.
JIU-JITSU dividi-se em:
1. Quedas (Ju-Dô)
2. Traumatismo – Atemi (Karatê-Jitsu)
3. Torções (Aiki-Jitsu)
4. Estrangulamentos
5. Pressões
6. Imobilizações
7. Colocação (Posição de combate, Momento de Ataque e esquiva)
É praticado em pé e no chão e com qualquer tipo de vestuário.
Origem
Apesar de contraditórias versões, a origem do JIU-JITSU é inegavelmente atribuída à Índia, berço das religiões e de cultura inigualável.
Monges budistas, de grande saber e de perfeito conhecimento do corpo humano, foram os criadores da mais perfeita e completa forma de defesa pessoal de todas as épocas, que é o JIU-JITSU – o pai de todas as lutas."


R)-MITO!
Se o ju-jutsu é o “pai de todas as lutas”, quem seria a mãe ?


Esse é um engano no qual grande parte dos praticantes propagam através de mestre para aluno, na verdade esse tipo de especulação surgiu por volta de 1965 com os Gracie.
Não se tem base ciêntifica ou histórica para afirmar que o Ju-jutsu é a luta mais antiga do mundo, se pesquisarmos um pouco mais sobre o assunto, fica difícil compreender esse tipo de afirmação por uma simples posição histórica; existe registros de lutas no minimo 2.000 anos mais antiga que a bíblia, vide referências confiáveis, o poema de gilgamesh(foto), na época dos sumérios, já descrevia em caráter cueniforme a luta, com golpes , técnicas, etc.
Não se pode provar com certeza a criação dessa maravilhosa arte de combate, o que sabemos na verdade é que as primeiras menções ao Ju-jutsu encontra-se no livro de contos japoneses, o Nihon Shoki que relata as crônicas mais antigas da história do Japão. Essas crônicas foram escritas por ordem imperial no ano 720 da era Cristã, em trechos apropriados falam de um torneio de Chikara-Kurabe (competição de força), confirmados pela história do Judô de Kodokan.
Esta competição de Chikara-Kurabe foi realizada no sétimo ano do Imperador Suinin, 230 anos A.C. E historicamente vista como o começo da luta japonesa que poderia ser o Ju-Jutsu ou o Sumô, que se caracteriza como uma autêntica prova das Histórias do estado embrionário da prática do Ju-Jutsu e Sumô nos tempos mais antigos e recuados no Japão primitivo.
Esses comentários e crônicas vão se diversificando com relação que se pretende entender como a gênese do Ju-Jutsu, uma vez que aparecem nas crônicas medievais e até mais antigas, uma dúzia ou talvez mais de nomes diferentes como Yawara, Taijutsu, Wajutsu, Torite, Kogusoku, Kempô, Hakuda, Kumiuchi, Rhubaku, Koshi-No-Nawari etc. São numerosas as escolas, e cada uma delas se distingue das outras pelas diferenças dos próprios métodos de combate.
O mais antigo texto a respeito da palavra "Yawara", que também era usada para descrever o Ju-jutsu, aparece na literatura japonesa e está contido no “Konloku Monogatari”, livro dos contos antigos e modernos que foi escrito na metade do décimo primeiro século. Como a palavra Yawara foi mencionada naquele livro a propósito de um conto sobre Sumô, não se pode identificá-la com o Ju-Jutsu.
Concluamos, pois, que o Ju-Jutsu, de fato senão de direito, é uma manifestação de cultura do povo japonês, o qual nele reflete suas próprias características, pode ter sofrido muitas influências, principalmente a chinesa, MAS É CRIAÇÃO DO POVO JAPONÊS.
No Brasil, temos o hábito de fazer referência ao Ju-Jutsu, como se fôsse um único sistema de luta. Mas não se trata de um sistema, mas de diversos sistemas de luta herdados do Japão Feudal. Justamente pelo Japão da época estar dividido em feudos, cada qual com suas atividades militares particulares, havia uma pluralidade de sistemas.

2)-"Torna-se, portanto, necessário o conhecimento das origens do Budismo, para que se possa compreender a criação da forma de luta que, séculos mais tarde, foi chamada pelos japoneses de “Arte Suave”, ou seja, técnica de defesa pessoal que, com o mínimo de esforço, sem necessidade do uso da força bruta, permite ao mais fraco defender-se e derrotar um adversário fisicamente mais forte.
O Budismo
Há cerca de 2500 anos passados, nascia ao norte da Índia (algumas milhas acima de Benares), o príncipe SIDDHARTHA GAUTAMA, membro da tribo SAKYA , que usava o dialeto Pali ou o Sânscrito. Homem culto e de grande inteligência, lançou as bases da religião que traria o seu nome e logo desenvolve-se por toda a Índia. Uma das principais preocupações de Buda (“O Iluminado”), foi dotar seus seguidores de grande cultura e conhecimento gerais, para melhor propagarem a sua fé.
Dentre seus seguidores – monges de longínquos monastérios obrigados a percorrer pelo interior da Índia, em longas caminhadas, tendo de se defender contra assaltos de bandidos que infestavam a região – apareceram aqueles que realmente são os criadores da luta que permitia a sua defesa sem o uso de armas atentatórias a moral de sua religião. Assim nasceu o JIU-JITSU – com o espírito de defesa que é a sua essência.
A aplicação de leis físicas, tais como “sistema de alavanca, momento de força, equilíbrio, centro de gravidade e o estudo minucioso dos pontos vitais do corpo humano”, propiciou aos seus criadores fazer do JIU-JITSU uma arte científica de luta.
Propagação
A disseminação do JIU-JITSU pela Ásia viria séculos mais tarde quando ( a cerca de 250 AC., ou seja, 2.250 anos passados), reinou na Índia DEVANAMPRIYA PRIYADARSIM, conhecido como rei ASOKA – 2 séculos depois de BUDA.
Abraçado ao Budismo, Asoka desenvolveu-o criando milhares de Monastérios dentro e fora da Índia. Desta maneira, o budismo e, com ele, o JIU-JITSU atingiram o Ceilão, a Birmânia e o Tibet. Depois, o Sião e todo o sudeste da Ásia. Posteriormente, a China, e, finalmente, o Japão – onde cresceu e tomou grande impulso, emigrando em seguida para o Ocidente. A entrada do JIU-JITSU no Japão é anterior ao nascimento de Cristo.

R)-Mito!
Novamente aquela conversa de que os monges indianos inventaram o Ju-jutsu para se defender de ladrões que os atacavam em suas caminhadas...
O Jujutsu japonês foi formado com base em técnicas nipônicas muito mais antigas, algumas das quais ainda presentes no Sumô, bem como por posições e movimentos do Kenjutsu. Temos que acrescentar ainda a forte influência da cultura chinesa, como as técnicas de Chin Na e Shuai Shao do Wushu.
Quando os monges indianos chegaram à China, já existiam diversos estilos de Wushu, aos quais eles acrescentaram seus conhecimentos de Vajramushti, arte marcial indiana que dominavam. Mais tarde o Wushu, principalmente o de Shaolin, influenciou diversas artes marciais okinawanas e japonesas, como o Karatê e o Jujutsu. Mas não se pode afirmar que a arte marcial dos monges indianos era o Ju-jutsu, e que este foi passado para a China e depois para o Japão, o Ju-jutsu é japonês, ele pode ter sofrido diversas influências de outras linhas culturais, em particular a chinesa, mas não deixa de ser uma criação do povo japonês.








3)-"A morte do rei Asoka trouxe funesta conseqüência para o Budismo e, consequentemente para o JIU-JITSU. Os brâmanes, (adoradores da religião de Deus Brama, que florescia antes do Budismo), sentindo-se prejudicados pelo espírito da religião Budista, moveram pertinaz campanha até conseguir expulsar os monges budistas do solo indiano; razão da pouca influência do JIU-JITSU na Índia."

R)-MITO.
Essa afirmação foi criada para respoder a seguinte pergunta; "Se o Ju-jutsu nasceu na Índia, por que não existe Ju-jutsu na Índia?".
O que sabemos é que o Pankration foi levado pelos gregos a India durante a conquista por Alexandre o Grande. Logo se misturou com a arte marcial indiana, o Vajramushti. Posteriormente, se expande o Budismo pela China, os monjes levaram o Vajramushti aos templos chineses. A partir daí, misturam com as técnicas de Wushu.
O Pankration Trata-se de uma das mais antigas lutas gregas, uma mistura de boxe com luta livre, com golpes e técnicas de lutas que incluem socos, chutes, estrangulamentos, agarramentos e imobilizações, uma espécie de MMA do passado.
As únicas coisas proibidas no pancrácio eram morder, arranhar, golpear os olhos ou a genitália do adversário. As lutas não possuíam limite de tempo, e só acabavam quando um dos lutadores se rendia, ou como não era raro acontecer, morria. Mas mesmo sendo uma luta incrivelmente brutal e violenta, o pancrácio era uma das modalidades esportivas que compunham as olimpíadas na Grécia antiga, e segundos relatos, era o esporte de maior prestígio entre os helenos.












4)-" KENPÔ-JITSU
Arte de aplicar um golpe traumático (ATEMÍ) de JIU-JITSU (com braço) do KENPÔ originou-se o chamado “Box Chinês”.
O KENPÔ, nascido no sul da China, emigrou para diversas regiões, inclusive a ilha de OKINOWA onde, a cerca de 300 anos, passou a se chamar pelo nome de KARATÊ-JITSU (arte de lutas com mãos vazias). Tanto o KENPÔ como o KARATÊ nasceram do ATEMÍ (golpe traumático) de JIU-JITSU. Foi, porém, no Japão que o JIU-JITSU cresceu e enriqueceu-se, transformando-se na mais completa e melhor forma de defesa pessoal que se conhece em nossos dias."

R)-MITO

Primeiro o autor diz que o Kenpô é " Arte de aplicar um golpe traumático (ATEMÍ) de JIU-JITSU nascido no sul da China.", no texto acima afirma que "Apesar de contraditórias versões, a origem do JIU-JITSU é inegavelmente atribuída à Índia, berço das religiões e de cultura inigualável."!
E aí ? Onde nasceu o Kenpô ?
Na Índia ou na China ?
Parece que nem o autor sabe...


5)-"NASCIMENTO DO JUDÔ
Em meados do século passado, grave ameaça apresentou-se ao povo japonês, acarretando sério perigo ao seu grande segredo: o JIU-JITSU.
Em 1871, o Imperador MEIJÍ inicia grandes modificações sociais, propiciando a penetração dos ocidentais. A “ocidentalização” do Japão e a conseqüente penetração estrangeira iniciada nesta fase – que até então era um país fechado à cobiça de europeus e americanos, trouxe sério e grave problema para os hipônicos.
Um falso estilo de JIU-JITSU
Os japoneses de pequena estatura com conhecimentos de JIU-JITSU, tinham condições de derrotar, numa luta real, aos grandes e fortes ocidentais. Porém, a partir do momento em que estes aprendessem JIU-JITSU, a supremacia técnica dos japoneses, em luta corpo-a-corpo, desapareceria.
A curiosidade dos ocidentais, em aprender o famoso sistema de luta (o JIU-JITSU), passou a ser o problema de maior preocupação para os filhos do império do Sol Nascente. Resolveu então, o governo japonês, criar um falso estilo de JIU-JITSU para uso externo, sem eficiência como luta real. Assim sendo, por volta de 1880, um funcionário do Ministério de Cultura Japonesa ( e professor de JIU-JITSU) é escolhido para criar o JIU-JITSU falsificado “para inglês ver”.
Nasceu então o sistema KANO de JIU-JITSU ( que mais tarde foi batizado com o nome de Judô) criado pelo funcionário do governo, professor Jigoro Kano que, em 1882, fundou a escola KODOKAN.
Foi assim fechado aos olhos estranhos os segredos de sua arte marcial milenar.
Os livros e publicações sobre o verdadeiro JIU-JITSU foram recolhidos. Os cento e treze estilos de JIU-JITSU e milhares de escolas tiveram seus nomes mudados para Judô.
O ensino de JIU-JITSU aos estrangeiros passou a ser crime de lesapátria.
O judô esportivo – que nada mais é que um esporte das quedas do JIU-JITSU – foi exportado para o ocidente, acompanhado de grande propaganda.
Os japoneses passaram, então, ao treino de JIU-JITSU, entre si, às escondidas.".

R)-MITO

O professor Jigoro Kano, criador do Judô e fundador do Instituto Kodokan, nasceu em 28 outubro de 1860, no departamento de Hyogo, na cidade de Mikage, portanto seis anos depois da abertura dos portos japoneses pelo Comodoro Perry e a assinatura do Tratado de Paz e Amizade com os Americanos. No entanto quando da restauração do Meiji, isto é, quando foram restaurados todos os direitos e regalias imperiais ao Imperador Mutsuhito em 1868, o Shihan Jigoro Kano teria oito anos de idade, o que significa a nosso ver, que foi testemunha ocular do apogeu e do declínio do (bujutsu) arte das lutas.
Os fatos históricos mais importantes que vieram alterar o curso da história do Extremo Oriente foram sem dúvida o advento das armas de fogo, e a abertura dos portos pelo Comodoro Perry 1854 que rasgou o véu do segredo de centenas de anos que envolvia o Japão. Gradativamente foi sendo introduzida a civilização ocidental, e em poucos anos foram adotadas ali suas ciências, artes e técnicas, contribuindo em grande parte para a restauração do Meiji. Um decreto aboliu o uso dos sabres ou quaisquer armas usadas pelos samurais ou senhores. Já no regime Tokugawa só os guerreiros Samurais tinham o direito de portar armas, os homens do povo não tinham esse direito. Todas essas transformações foram vistas e vividas por Jigoro Kano que, nessas alturas dos acontecimentos tinha dezoito anos, aluno da Universidade Imperial de Tokio, observou que tudo que pertencia ao regime anterior era visto com maus olhos e fora de moda. As lutas dos guerreiros samurais entraram em declínio e foram relegadas a planos inferiores. O exército foi formado pelo modelo ocidental, como a formação de quartéis e adoção de técnicas e armamento moderno.
Não tinha mais sentido preparar soldados com armamento dos samurais como arco e flecha, espadas e vários outros instrumentos usados na agricultura e que se transformavam em armas de combate, todas pertencentes ao (kobudo) estilos do manejo de armas. Somente os samurais lhes eram fieis, 1871 marca um rápido declínio das lutas do Budo e o Ju-jutsu não foi exceção.
Os grandes mestres do Budo (samurais) e de todos os tipos de lutas foram obrigados a procurar outras ocupações, uns foram ensinar jujutsu para viver, outros foram para o exército ou para a polícia e até abriram pequenos Dojos para o ensino particular, muitos deles cometeram o suicídio por tanto desgosto.
Jigoro Kano era um jovem universitário de 18 anos muito franzino, media um metro e cinqüenta centímetros de altura e pesava cinqüenta quilos. Seus colegas de escola enciumados de seus dotes intelectuais e sucessos escolares faziam chacota e sempre era vitima da brutalidade dos mais fortes. Devido a esses trotes, Kano sonhava estudar Ju-jutsu para aprender a se defender. Porém, não encontrava professor, nessa época, os mestres do Budo, principalmente do Ju-jutsu, motivo do interesse de kano, estavam quase interditados e aqueles que o faziam era como se o fizessem na clandestinidade. Uma vez que o aprendizado das lutas era desprezível, próprio dos desocupados e não visto com bons olhos, os mestres feridos na sua dignidade estavam como que escondidos em face do impacto e opressão da cultura européia e americana.
Kano procurou Baizei Narai, velho cavalheiro do governo do antigo shogun e freqüentador da família Kano, que havia aprendido jiu-jitsu com o grande mestre Imai da escola Kiushin-ryu. Kano implora para que ele o ajude em seu projeto e a resposta foi negativa - Imagine! Seria uma traição para com seu pai você aprender uma arte completamente vulgar- depois, você terá que levar a sério seus estudos e não deve perder tempo com coisas insignificantes. Sem outra alternativa, Jigoro apela para o guardião das terras de seu pai, Rijuji Katagiri e a resposta foi outra negativa. Este então, disse que jamais desobedeceria a seu pai, principalmente sabendo o que ele pensava sobre o jiu-jitsu. Alguns anos depois, já na Universidade cursando a faculdade de letras, lhe foi recomendado um senhor chamado Teinosuke Yagi, que havia sido discípulo de Hachinosuke Fukuda. Yagi habitava uma pobre casa e ficou espantado quando Jigoro Kano lhe disse que queria aprender Ju-jutsu. Respondeu-lhe que não compreendia como um estudante franzino queria aprender Ju-jutsu. “Eu quero me desenvolver no Ju-jutusu”, precisa Jigoro Kano. – Bom, nesse caso eu não posso porque não sei muito Ju-jutsu para ensinar. Sou um simples encanador de ossos e consertador de luxações das articulações.
Existia um decreto que facultava aos velhos mestres de lutas do Budo desempregados em relação às mudanças políticas de exercerem as funções de reanimador de síncopes e todas as manobras do Kuatsu, encanar ossos quebrados, consertar luxações e socorrer afogados. Todos eles, sabiam um pouco de Ju-jutsu. Finalmente, Yagi ficou muito satisfeito com a solicitação de Jigoro e o levou a Fukuda que foi o seu primeiro mestre onde trabalhava também Masachi Iso, da escola Tenshin-Shin’yo-Ryu. Sob a direção desses mestres, iniciou-se nos mistérios da não-resistência. Fukuda morre e Kano herda suas crônicas e arquivos. Em seguida, foi aluno de Tsune Toshi Iikubo da Escola Kito-Ryu. Ele foi assim iniciado em outros segredos da Escola de Kito. No entanto, declara que jamais viu um estilo tão perfeito quanto do mestre Masachi Iso. Kano herda também os arquivos da Escola de Kito-Ryu.
Em 1882, com a idade de 22 anos, Kano se instala no templo de Eishosi, da seita Jodô, Zen-budista, e monta seu primeiro Dojô, berço do Judô.
Kano abre seu próprio Dojô, chamado Kodokan, onde ensinava uma variação moderna do Jujutsu que ele chamava Judô. A mudança do nome se devia ao fato de que Mestre Kano não queria que sua arte tivesse a conotação negativa conferida aos praticantes de Jujutsu, pois considerava repugnante a prostituição das artes marciais através de combates remunerados e desafios. Além disso a palavra "Do", caminho, era mais adequada aos seus objetivos: fazer do Judô um caminho, uma prática saudável para o corpo e para a mente e possível de ser praticado por homens e mulheres de qualquer idade. Em sua época era freqüente o número de acidentes sérios durante os treinos de Jujutsu. Jigoro Kano afirmou ainda que o têrmo escolhido, "judô", não havia sido criado por ele, mas era muito antigo, sendo utilizado pela escola Jikishin Ryu. Para diferenciar a sua arte ele a denominava "Kodokan Judô", nome pela qual ainda é conhecida.

Em 1898, em uma de suas conferências, Jigoro Kano, assim se pronunciou:
"Eu estudei jujutsu não somente porque o achei interessante, mas também, porque compreendi que seria o meio mais eficaz para a educação do físico e do espírito. Porém, era necessário aprimorar o velho jujutsu, para torná-lo acessível a todos, modificar seus objetivos que não eram voltados para a educação física ou para a moral, nem muito menos para a cultura intelectual. Por outro lado, como as escolas de jujutsu apesar de suas qualidades tinham muitos defeitos - concluí que era necessário reformular o jujutsu mesmo como arte de combate. Quando comecei a ensinar o jujutsu estava caindo em descrédito. Alguns mestres desta arte ganhavam a vida organizando espetáculos entre seus alunos, por meio de lutas, cobrando daqueles que quisessem assistir. Outros se prestavam a ser artistas da luta junto com profissionais de sumô. Tais práticas degradantes prostituíam uma arte marcial e isso me era repugnante. Eis a razão de ter evitado o termo jujutsu e adotado o do judô. E para distinguí-lo da academia Jikishin Ryu, que também empregava o termo judô, denominei a minha escola de Judô Kodokan, apesar de soar um pouco longo."

Como pódemos ver, Kano não foi "escolhido para criar o JIU-JITSU falsificado “para inglês ver”, Kano criou seu método mo derno de Ju-jutsu por achar que essa arte marcial era herança cultural de seu povo, não teve ajuda nehhuma do governo na criação do Judô.
Sobre a parte que diz que Kano criou "um falso estilo de JIU-JITSU para uso externo, sem eficiência como luta real" , é engraçado tal afirmação pelo simples fato de que em 1886 o "falso Ju-jutsu de Kano" venceu as maiores escolas de Ju-Jutsu Tradicionais da época em um campeonato patrocinado pela Polícia Metropolitana de Tóquio.Foram diversas lutas, foram 20 lutas, segundo a maior parte dos relatos descritos na literatura japonesa, e só houveram três empates, o Kodokan venceu os demais confrontos. Como poderia o Judô ser um falso estilo de JuU-JuTSU sem eficiência como luta real ???
Em 1888 aconteceu um novo campeonato patrocinado pela Polícia Metropólitana de Tóquio, o Kodokan saiu novamente vencedor.
Quanto a questão sobre ensinar Ju-jutsu "era crime de lesa pátria", é uma falácia sem bibiografia, não há nehuma referência na literatura japonesa sobre tal fato, portanto é uma clara intenção de disvincular o Ju-jutsu japonês do Judô, dando a imprenção que somente os Gracie aprenderam a verdadeira arte praticada pelos antigos samuarais.
Existiam vários mestres de Ju-jutsu rodando pela América antes mesmo da criação do Judô em 1882, muitos professores do Kodokan sairam mundo a fora para ensinar a arte no ocidente,além disso, o governo japonês jamais conseguiria "recolher" todos os exemplares de Ju-jutsu que foram traduzidos e importadoa para a América e Europa, existem centenas de versões desses livros e jornais da época.
Veja fotos abaixo.










































6)-"Recentemente, após a morte de KANO, os próprios japoneses sentiram que o Judô estava lhes prejudicando em relação aos estudos do JIU-JITSU. E, sem a presença incômoda de KANO, trataram de introduzir secretamente, no Judô, um estilo de JIU-JITSU que servisse de defesa pessoal para os judocas – já que o Judô é mero esporte.
Assim foi ocultamente introduzido no Judô o:GOSHIN-JITSU."

R)-MITO!

Kano não criou um esporte, o que ele criou foi uma atitude “esportiva” no Judô, o que não é a mesma coisa. Ignorar isso, é ignorar muitos textos deixados por ele.
Kano também queria manter o aspecto de “vida e morte” da tradição dos antigos samurais nas disputas, O aspecto da submissão significava a “morte”, batendo, você concordava que o outro o havia “matado”, isso não é esporte, é uma atitude!
Com o final da Segunda Guerra, o Japão era um país conquistado, o General McArthur está no comando; Ele baixa um decreto que vai mudar a história do Judô para sempre. TODAS as artes militares foram banidas no Japão do Pós-guerra. O Kodokan foi fechado porque era uma academia militar. Depois de várias reuniões e encontros, foi acordado que o Kodokan poderia reabrir APENAS se ensinasse o Judô esportivo e apenas o Judô esporte, com o objetivo de se tornar um esporte olímpico. Como podemos ver, não foi Kano quem quis que o Judô se tornasse um mero esporte, mas o General McArthur, por mais de vinte anos, o Judô esportivo seria o único foco do Kodokan, sob a direção das forças americanas.
o Goshin Jutsu não é Ju-jutsu, é um plano de estudo de técnicas de autodefesa.
O Goshin Jutsu foi elaborado nos anos cinqüenta, quando 21 mestresdo Kodokan vieram construir uma forma modernizada de autodefesa a ser ensinada no Judô. O mais influente e provavelmente o mais conhecido por nós no ocidente, desses integrantes da Comissão, era Tomiki. Kenji Tomiki foi um estudante direto de Kano e também foi, por arranjo do próprio Mestre, aluno de Ueshiba, da escola de Aikido. Tomiki também foi enviado para aprender outros ryus tradicional, por ordem de Kano, todos aqueles antigos conhecimentos foram trazidos para subsidiar a elaboração do Goshin Jutsu moderno. Haviam técnicas de Goshin Jutsu antigas que já não eram mais praticadas. Estas estavam descartadas, escondidas, deixadas de fora por várias razões, e havia um sentimento de que havia necessidade de um Goshin Jutsu, mas o Kodokan quis uma versão modernizada. E de forma que foram chamados esses instrutores e lhes pediram que construíssem esta arte.
Como podemos observar, a afirmação que o Goshin jutsu foi um estilo de Ju-jutsu incluido no Judô contrariando as idéias de Kano não passam de uma nova falácia.
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6 comentários:

Ótimo trabalho, parabéns!

Excelente! Parabéns!

você e a sua velha implicancia contra o Jiu Jitsu Brasileiro. Acho que você é um verdadeiro guerreiro dos teclados seu falastrão.
pense em uma metralhadora russa inventada no ano passado e e uma katana inventada por um samurai, o que vence a tradição ou a inovação, vai olha dragon bol z

Tudo que é postado tem fontes, é baseado em pesquisa e não em "achismo"...
Se o senhor tem como provar que estou errado, que faça!
Caso contrário, o "falastrão" aqui será a vossa senhoria...

O jiujitsu Brasileiro tem que ter a humildade de reconhecer que nasceu da Kodokan de Jigoro Kano, o mestre deles Conde Koma, formou-se faixa preta com o Mestre KANO, parabens pelo blog.

Parabens pelo blog
Sou Cleber Lopes 1° Dan em Box Kenpo e posso diser que este artigo é maravilhoso com detalhes precisos e detalhado.
O Jiu-Jutsu é uma ótima luta é pena que a comercialização (de que tanto mestre Kano reclamava)crie estas "verdades" mirabolantes,é mais triste ver praticantes acreditando nisso simplesmente por não se interessarem a desenvolver a cultura.
Se alguém disser que o Jiu-jitsu veio de Nárnia eles acreditam