"A meta final do JUDÔ KODOKAN é o aperfeiçoamento do indivíduo por si mesmo, desenvolvendo um espírito que deve buscar a verdade através de esforço constante e da sua total abnegação, para contribuir na prosperidade e no bem estar da raça humana" "Nada sob o céu é mais importante que a educação. Os ensinamentos de uma pessoa virtuosa podem influênciar uma multidão; aquilo que foi bem aprendido por uma geração pode ser transmitidas a outras cem." Jigoro Kano

O Mestre dos Mestres Por Rafael Werneck e Shu Inagaki

0 comentários quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 às 11:09 - Edit entry?
Essa foi retirada do site da Federação Brasileira de Jiu-jitsu, http://www.cbjj.com.br/koma.htm, em mais um festival de inverdades, manipulação de informações ou falta de conhecimento de pesquisa ????

Não irei julgar o autor, mas irermos juntos analizar algumas partes do texto, depois disso, você tira sua própria comclusão.


Muita gente sabe que foi o paulista Charles Miller quem trouxe o futebol para o Brasil. Só não se consegue achar em nenhuma enciclopédia esportiva registro oficial ou relato de testemunhas que comprovem que Miller era um exímio praticante do esporte bretão.

O mesmo não se pode dizer daquele que trouxe o Jiu-Jitsu para as terras brasileiras. Conhecido por essas bandas pelo nome de Conde Koma, Mitsuyo Maeda beirava a perfeição quando o assunto era derrotar os outros em uma luta.
Antes de desembarcar em terras tupiniquins em 1914, portanto há 90 anos, Maeda percorreu o mundo provando que sua arte era superior às demais. Uma história de vida única e fascinante, que merece ser contada em detalhe nas linhas que se seguem.
Mitsuyo Maeda nasceu em 1878 em uma pequena cidade chamada Aomori, localizada ao norte da ilha japonesa de Honshu e conhecida pelo forte frio que faz no inverno.Como a pobreza assolava a região no fim do século XIX, muitos moradores se mudavam para Tóquio ou para outras cidades na tentativa de ganhar dinheiro e fugir do inverno. Felizmente, esse não foi o caso de Maeda, mandado pela família para estudar na escola da elite local, a Hirosaki Junior High School. Mitsuyo lá ficou até o ano de 1886, quando passou a estudar na Waseda High School, em Tóquio.
Entre os amigos, era conhecido pelo apelido de menino-sumô, em razão de seu grande fascínio pela arte que lhe fora ensinada por seu pai e das várias lutas que vencia contra colegas de escola.
Na época da universidade, Maeda foi estudar na Tokyo Specialist School (que hoje tem o nome de Waseda University e é reconhecida como bom centro de ensino) e lá entrou para o clube de judô.  Ao mesmo tempo, ele começou a freqüentar a Kodokan, famosa academia de judô que permanece em funcionamento até os dias atuais. 

A Kodokan foi fundada por Jigoro Kano, um estudioso que juntou vários estilos do Jiu-Jitsu antigo para criar o judô, arte que posteriormente se modernizaria tornando-se um esporte de muitas quedas, algumas imobilizações mas nenhum soco ou chute. O auge do esporte ocorreu em 1964 quando recebeu o status de "olímpico" ao fazer parte dos Jogos de Tóquio. Mas isso aconteceu muito depois do tempo de Maeda e Kano, que praticaram um esporte que era a mistura de Jiu-Jitsu e judô. Ambas as artes tinham elementos e técnicas de trocação, herdados das antigas batalhas de samurais, que tinham de saber o que fazer depois que suas espadas quebravam no campo de guerra. Hoje em dia, o judô perdeu muito das técnicas antigas, uma vez que os lutadores treinam para ganhar o ouro olímpico tendo de obedecer a uma grande quantidade de regras e tempo de luta.


"Na Kodokan eram realizadas lutas de judô todos os meses. Maeda fez a sua primeira em 25 de dezembro de 1898. Vestindo a faixa-branca, ele derrotou facilmente cinco ou seis oponentes. E no mesmo dia foi promovido à faixa-roxa. Começava ali uma trajetória incrível. Naquele mesmo 25 de dezembro Maeda seguiu vencendo todos os oponentes que surgiam a sua frente até que, depois de derrotar 15 adversários seguidos, recebeu o primeiro grau da faixa-preta. Desconfia-se que Maeda treinou afinco durante meses antes de tentar a sorte na Kodokan pois não queria arriscar não ser bem sucedido."

1) Consta no Kodokan, em um livro de inscrições criado por Kano em 1883, a matrícula de Maeda, ela é datada de 1894, ou seja, quando Maeda lutou em 25 de Dezembro de 1898, ele já havia  treinado  no Kodokan durante quatro anos, já dominava a arte do Judô com perfeição.
A parte que fala em que Maeda foi promovida a faixa roxa é no mínimo estranha, isso por não exisitr faixa roxa na graduação do Judô japonês.
No Japão, prevalece o seguinte esquema: Faixa Branca pra designar principiante; Faixa Marrom para os graus intermediários, e a Faixa Preta para os graus avançados. NÃO EXISTE FAIXA ROXA NO JAPÃO!




Homem de porte mediano para os padrões japoneses da época, seus 1,64m e 68kg não era o que poderia se chamar de atleta intimidador. Adorava beber saquê e cantar e não se fazia de rogado quando desafiado no meio da rua para uma briga. Não demorava a derrubar e nocautear o petulante que ousou cruzar seu caminho. Em constante evolução, foi promovido ao terceiro grau da faixa-preta em 1901 e se tornou instrutor de judô nas universidades de Tóquio, Waseda e Gakushuin, isto sem falar da escola militar onde também ministrava aulas.
Em 1904, Mestre Jigoro Kano aconselhou Maeda a viajar para os Estados Unidos a fim de mostrar aos yankees as habilidades das artes marciais japonesas. Antes de partir, recebeu o quarto grau das mãos de seu mestre.
Mituyo Maeda deixou o Japão através do porto de Yokohama em novembro, chegando a São Francisco, na Califórnia, pouco antes do fim do ano.

Naquela época, os norte-americanos já conheciam um pouco sobre judô, uma vez que o então presidente, Theodore Roosevelt era um grande fã do povo japonês e de sua cultura, chegando a ter um instrutor particular de judô chamado Yamashita. Em busca de melhorar a defesa pessoal, alguns militares americanos também já aprendiam judô em suas bases. Logo, cabia a Maeda e seus companheiros lutar contra os norte-americanos e provar a superioridade japonesa. Na famosa escola militar de West Point, Maeda enfrentou um jogador de futebol americano e praticante de wrestling. Depois de suas costas grudadas ao chão, o que nas regras do wrestling daria a vitória ao americano, Maeda continou lutando e venceu o combate com uma chave de braço. Os americanos não aceitaram o resultado e propuseram um novo desafio, desta vez contra o companheiro de Maeda, um experiente aluno de Kano chamado Tomita. Os yankees acreditavam que enfrentar Tomita seria uma honra maior por se tratar de um lutador melhor [na verdade, Tomita era muito melhor professor do que realmente lutador].

"Para desespero de Maeda, seu parceiro foi facilmente derrotado, e de forma embaraçosa para qualquer praticante de judô ao ser imobilizado pelo norte-americano. Aquilo foi demais para Maeda, que rompeu com Tomita e decidiu seguir viagem sozinho."



2) Maeda não "rompeu" com Tomita, eles apenas se separaram, Tomita  percebeu que seu tempo já  havia terminado, já não era mais jovem e forte como na época dos  torneios contra o Ju-jutsu. Ele relatou a ?Jigoro Kano tudo por carta e logo depois voltou ao Japão. Maeda ficou como já haviam pranejado.
Na verdade Kano já havia pensado nisso muito antes de Maeda e tomita deixarem o Japão, ele sabia da deficiência de Tomita, talvez por isso tenha colocado um de seus melhores e mais aguerrido aluno para acompanhar Tomita, o plano era que Tomita ficasse encarregado da parte teórica e filosófica do Judô e Maeda da prática, ou seja, as lutas reais contra qualquer estilo que encontrassem, isso funcionou bem até que Tomita foi desafiado e falhou na execução de uma projeção. A alegação em que Tomita não era um bom lutador não tem base histórica, o mesmo participou de vários comfrontos contra as antigas escolas de Ju-jutsu defendendo o nome do Kodokan desde 1886, como podemos observar pelas datas, seu tempo e alge já haviam passado.





A opção então foi rumar para Nova York, onde participou de várias lutas de vale-tudo para ganhar dinheiro. Na primeira, diante de um westler 20 centímetros maior e que gostava de ser chamado pela alcunha de "O menino açougueiro", Maeda derrubou o oponente várias vezes antes de finalizar na chave de braço. Três lutas e três vitórias depois, uma delas diante do então campeão mundial dos pesos pesados de boxe, Jack Johnson, Maeda iniciava a tradição que seria seguida no Brasil por Helio Gracie e seus discípulos em derrotar adversários muito mais altos e mais fortes. Os Estados Unidos já estavam pequenos demais para ele.

Três anos depois, em 1907, Maeda rumou para o Reino Unido, onde venceu mais 13 lutas e em seguida para a Bélgica, onde fez mais uma vítima. Era hora de voltar à América. E o destino foi a ilha caribenha de Cuba. Lá, muito antes de Fidel Castro sonhar em assumir o poder, quem mandava era Maeda. Foram ao todo 15 vitórias, em dois períodos intercalados por uma rápida passagem pelo México onde derrubou mais quatro adversários. É importante ressaltar que estas são apenas as lutas oficiais. Não estamos falando de desafios feitos no meio da rua. Se contados lutas, só em Cuba foram mais de 400.

"Essa postura desafiadora de Mitsuyo Maeda conflitava com os princípios da Kodokan, e ao ganhar notoriedade passou a classificar sua arte puramente como Jiu-Jitsu e não mais Judô.
Depois de muito viajar pelo mundo, em 1914 Mitsuyo Maeda desembarcou no Brasil, mais especificamente em Santos. Pouco ficou nada na cidade do litoral paulista, indo se fixar em Belém. Entre idas e vindas ao Reino Unido, Nova York e Cuba, Mitsuyo chegou usar o nome de Yamato Maeda. Yamato é um nome antigo de Japão, e usava este nome quando representava o país mundo afora. Mas foi na Espanha que passou a ser chamado de Conde Koma, nome da academia de judô que fundou na capital paraense e pelo qual ficou conhecido no Brasil. Em sua academia, Maeda ensinava Jiu-Jitsu como uma técnica de defesa pessoal para lutas de vale-tudo."



3)Judô ou Ju-jutsu ?


Essa é uma questão muio debatida em nossa comunidade de pesquisa, vamos analizar alguns pontos:
Quando Maeda deixou o Japão, o Judô era ainda conhecido como “Kano Ju-Jutsu ou ainda, mais genericamente apenas “Ju-Jutsu”.
Kigashi, o co-autor de “Kano Ju-Jutsu”, escreveu o prólogo:
“alguma confusão surgiu com o emprego do termo “judo”. Para esclarecer, vou declarar que judo é o termo selecionado pelo Professor Kano para descrever seu sistema mais precisamente que Ju-Jutsu. Professor Kano é um dos líderes da educação no Japão. E é natural que ele deva velar pela palavra técnica que mais precisamente descreva seu sistema. Mas os japoneses geralmente ainda chamam pela popular nomeclatura Ju-Jutsu”.
Nessa época o judô começava a ser introduzido em quase todas as nações civilizadas do mundo, todavia, no ocidente o termo Ju-jutsu ainda era empregado, embora o nome Jigoro Kano fosse citado. Este fato técnico afetava o modo de se usar os termos "judô" e "Jiu-jitsu", naturalmente. O que Jigoro Kano promovia no Kodokan era percebido por todos como sendo Ju-jutsu, e o termo "Ju-jutsu" era aplicado à prática do Kodokan. Muitos textos inclusive,chamavam aquela prática de "Kano Ju-jutsu".
Jigor Kano e seus alunos, entre 1890 e 1904, usavam muito o termo "Ju-jutsu" para a prática do Kodokan. Tudo era uma questão de ênfase e de contexto. Preferiram "Judô", somente quando queriam falar da parte filosófica e educativa. Mas usavam "Ju-jutsu', quando falavam da parte puramente técnico-combativa.
O governo japonês não se pronunciou sobre tal distinção até 1925 quando estabeleceu que o nome correto da luta a ser ensinada nas escolas públicas no Japão deveria ser “Judô” e não “Ju-jutsu.
Sobre os confrontos, novamente om altor mostra desconhecer a história do Judô Kodokan, ele ignora vários confrontos contra todos os tipos de estilos de luta onde o Kodokan mostrou a eficiência do caminho suave do Doutor Kano.
Quando o Kodokan foi criado, teve sua base em várias antigas escolas de Ju-jutsu e elementos ocidentais, Wrestlingb e Educação Física européia. Isso contrariou muitos mestres do antigo estilo, os koryus.
O Kodokar era desafiado quase que diariamente por todos os tipos de antigos estilos de Ju-jutsu
Perder esses confrontos seria o fim de sua escola, e nada mais justo para provar as teorias do Doutor Kano que uma disputa direta contra aqueles que o criticavam.
Kano não só aceitava esse tipo de confronto no iníciop do ?Kodokan como até incentivava, destaco dosi grandes confrontos contra os antigos estilos de Ju-jutsu, os Campeonatos de Artes Marciais de 1886 e 1888 promovidos pela Polícia Metropolitana de Tíquio. Muitos outros confrontos aconteceram no longo da carreira co Kodokan, judocas enfrentavam em todas as partes do mundo wrestlers e lutadores de boxe. 
Foi devido a esses confrontos que sistemas de luta como o Jiu-jitsi brasileiro e o Sambô russo nasceram através do Judô Kodokan. Esses confrontos só foram proibidos pelo Kodokan por volta de 1920 ( e continuram mesmo assim), nessa época Maeda já estava em final de carreira como lutador profissional.
antes de 1920 era normal lutadores do Kodokan aceitarem desafios, abaixo veremos partes das regras retirado de um livro de 1905, regras que todo judoca do Kodokan deveria seguir em seus confrontos.





Regras Competição de Ju-Jutsu Kano
O Original Judo Kodokan Competições e Regras
(Irving H. Hancock e Katsukuma Higashi, The Complete Kano de Jiu-Jitsu (Judo), (New York: Dover Publications, 1905)


Regra número 8: Fica entendido e acordado que o praticante de Jiu-Jitsu, pode, se ele luta contra um pugilista ou concursos com um wrestler, ser autorizado a utilizar em sua defesa qualquer um dos truques que fazem parte da arte do Jiu-Jitsu.

Regra número 9: É ainda entendido e acordado que o praticante de Jiu-Jitsu não se responsabiliza por quaisquer danos ou ferimentos causados por algum ato ou coisa que fez durante a competição, e que o praticante de Jiu-Jitsu não seja culpado de qualquer efeitos ou dano que podem ter sido recebidos durante a competição.

Regra número 10: Duas testemunhas competentes representando cada lado, ou quatro no total, devem velar para que estes artigos do acordo estão devidamente elaborado, assinado e testemunhado, a fim de que nenhum concorrente ou outro participante deve ter motivos para ação em qualquer terreno ou motivos decorrentes de qualquer lesão ou lesões, ou morte, causados durante a competição.

As regras não deixam dúvidas parceiro, o pau quebrava feio...



"No início dos anos 20, o já famoso Conde Koma se envolveu na fracassada tentativa do império japonês de colonizar a Região Norte do Brasil. Acuado, foi ajudado por um homem com grande influência política chamado Gastão Gracie, cuja família havia imigrado da Escócia. A amizade entre os dois cresceu e certo dia Gastão fez uma oferta a Maeda: queria que ele ensinasse Jiu-Jitsu a seu filho Carlos [ver Box]."


4) Foi justamente como falei, os desafios foram sendo proibidos por volta de 1920, nessa época Maeda estava ocupado com a tentativa de conolizar a Região norte do Brasil, suas atividades como lutador profissional estavam no fim, então cai por terra toda aquela estória de  "Essa postura desafiadora de Mitsuyo Maeda conflitava com os princípios da Kodokan." .


Abaixo, postei parte de um texto escrito por Kano, nele Kano deixa claro que não é contra os confrontos entre estilos, fala até que muitos lutadores do Kodokan ficaram conhecidos por participarem justamente desse tipo de confronto, ele é contra o 'espetáculo", a degradação do Budô.
"A Luta Romana e o Boxe, faz-se uma distinção entre amadores e proficionais. Os lutadores e boxeadores proficionais às vezes são pessoas de caráter inferior e, não importando o quanto tenham habilidade, muitos são mal vistos pela sociedade. Alguns membros da Kodokan se tornaram populares lutabdo contra eles, mas eu não acho que essa atitude esteja de acordo com as metas do judô. A verdadeira prática do judô não precisa desse tipo de demonstração.
É muito comum ouvir as pessoas comentando sobre quem ganhou ou perdeu esta ou aquela competição de luta, boxe ou judô, mas os propósitos originais do judô são completamente diferentes dos propósitos da luta romana e do boxe, então convém não entrar em competições entre essas modalidades. Apesar de não ser impossível que elas cheguem a um acordo sobre certas condições e participem da mesma competição, não se trata de uma verdadeira competição de judô e sim de um tipo de competição modificada, na qual é ímpossivel definir quais são os méritos do judô, do boxe ou da luta romana. A forma mais apropriada de identificar o mérito do judô, do sumô, do do boxe, ou da luta romana é estudar cada uma dessas modalidades, com base em seus próprios conceitos, e depois chegar a uma conclusão.
No futuro, em uma competição entre praticantes de judô e de lutadores ou boxeadores, os organizadores deverão decidir se os participates competirão de acordo com as regras do boxe ou do judô. Entretanto, essas competição nunca deveriam ser abertas ao público, mas ser apenas testes entre voluntários com o propósito de uma pesquisa. Se, de alguma maneira, elas se ternarem um espetáculo, se forem cobrados ingressos e isso se tornar um esporte de espectadores, é preciso entender que essa será uma violação completa ao espírito do judô kodokan. Eu vejo a necessidade de frisar essas questões porque tenho certeza de que algumas pessoas deixaram de lhes dispensar a devida atenção e caíram nessa armadilha sem perceber."







MY JUDÔ de 1984

0 comentários segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 às 10:37 - Edit entry?
Depois de retornar do Havaí, eu fui para o Brasil por convite da São Paulo Shibun (Nota: Jornal local japonês em São Paulo). A São Paulo Shibun, que estava em prejuízo, teve a idéia de fazer pro wrestling para reviver os negócios. O período de contrato foi de 4 meses. Os participantes eram eu, Yamaguchi, e Kato 5º dan. Essa iniciativa foi de grande sucesso. Aonde quer que fossemos, a arena estava lotada. Isso fez o presidente Mizuno da São Paulo Shinbun muito feliz. Quando pedimos por aumento, ele triplicou o nosso pagamento inicial imediatamente. Em adição ao pro wrestling, nós ensinavamos Judô aonde quer que fossemos.
Um dia, Hélio Gracie, 6º dan de Judô, lançou um desafio a nós. A regra da luta era diferente da de Judô ou de pro wrestling. O vencedor era decidido apenas por finalização. Não importavava quão claramente uma queda fosse aplicada ou por quanto tempo um Osaekomi durasse, não importava. Ele lançou um desafio a Kato 5º dan primeiro. O gongo soou. Kato estava com bom condicionamento, e arremessou Hélio algumas vezes. Porém, passados 15 minutos, eu comecei a ver frustação no rosto de Kato. Os arremessos não faziam nenhum dano a Hélio já que o tatame era macio. Na marca dos 30 minutos, estava evidente que Kato estava cansado. "O que é isso, Kato, vá para o Newaza, não fique de pé!", a platéia japonesa gritava. Kato então derrubou Hélio com o-soto-gari, montou em Hélio, e começou um Juji-jime. A platéia gritava em empolgação. Mas, eu observei cuidadosamente, e Hélio também estava aplicando um estrangulamento de baixo. Eles estavam tentando estrangular um ao outro. Isso durou cerca de 3 ou 4 minutos. O rosto de Kato começou a empalidecer.
Eu gritei, "pare!" ao juíz, e pulei na arena. Quando Hélio liberou o golpe, Kato caiu no tatame, com a cara no chão. Dois dias depois dessa luta, eu vi estudantes de Hélio descendo uma rua da cidade carregando um caixão. Eles estavam gritando, "O judoca japonês Karo está nesse caixão. Ele foi morto por Hélio. Nós pedimos seu apoio para o mestre de Judô Hélio Gracie!"

Depois dessa luta, a popularidade de nosso show de pro wrestling declinou rapidamente. Os japoneses que encontrávamos nas ruas murmuravam, "eles devem ser fraudes, perdendo de um jeito tão patético." Hélio lançou um novo desafio, dessa vez a Yamaguchi. O presidento Mizuno do Jornal paulista também implorava, "Sr. Yamaguchi, por favor mate Hélio, dessa vez." Se ele lutasse Judô sob as regras japonesas, Yamaguchi era superior a Hélio tanto em Tachi-waza quanto no Newaza. Mas sob a regra brasileira, Se Hélio fosse imobilizado no chão, tudo o que ele tinha que fazer era ficar calmo e tomar cuidado para não ser pego em um estrangulamento ou chave. Hélio poderia lutar por um empate dessa maneira. Se ele usasse essa tática, seria difícil para Yamaguchi fazer Hélio desistir. Eu então disse a Yamaguchi, "Não se incomode para bolar um plano para fazer Hélio desistir. Eu aceitarei o desafio." Até o dia da luta, nós continuamos a fazer shows de pro wrestling todos os dias. Três dias antes da luta, um jornal local lançou uma grande manchete, dizendo que "Kimura não é um japonês. Ele parece um cambojano. Hélio não pode lutar contra um falso japonês." Eu fiquei surpreso de ver isso. Eu corri para a Embaixada do Japão com meu passaporte, e obtive uma prova que eu era japonês. ( Kimura vs Hélio, foto)
20.000 pessoas vieram ver a luta, incluindo o presidente do Brasil. Hélio tinha 1,80m e 80kg. Quando entrei no estádio, encontrei um caixão. Perguntei o que era. Me disseram, "É para Kimura, Hélio trouxe." Era tão engraçado que quase dei uma gargalhada. Enquanto me aproximava do ringue, ovos eram lançados em mim. O gongo tocou. Hélo me agarrou pelas duas lapelas, e me atacou com um O-soto-gari e Kouchi-gari. Mas ele não me moveu nem um pouco. Agora era minha vez. Eu o joguei no ar por O-uchi-gari, Harai-goshi, Uchimata, Ippon-seoi. Por volta de 10 minutos de luta, eu o lancei por O-soto-gari. Eu planejava causar uma concussão. Mas já que o tatame era muito macio não teve muito efeito nele. Enquanto continuava a lançá-lo, estava pensando em um modo de finalizar. Eu o arremessei por O-soto-gari novamente. Assim que Hélio caiu, eu o imobilizei por Kuzure-kami-shiho-gatame. Eu mantive por dois ou três minutos, e então tentei sufocá-lo pela barriga. Hélio balançava sua cabeça tentando respirar. Ele não aguentava mais, e tentou empurrar meu corpo esticando seu braço esquerdo. Nesse instante, eu agarrei seu pulso esquerdo com minha mão direita, e torci seu braço. Apliquei Udegarami. Eu pensei que ele iria desistir imediatamente. Mas Hélio não bateu no tatame. Não tive escolha a não ser continuar a torcer o seu braço. O estádio silenciou. O osso de seu braço estava se aproximando do ponto de quebrar. Finalmente, o som do osso quebrando ecoou no estádio. Ainda assim Hélio não desistiu. Seu braço esquerdo já estava inutilizado. Sob essa regra, eu não tinha outra escolha a não ser torcer o seu braço novamente. Tinha muito tempo ainda sobrando. Eu torci o seu braço esquerdo novamente. Outro osso quebrou. Hélio ainda não bateu. Quando tentei torcer o braço novamente, uma toalha branca foi jogada. Venci por TKO(nocaute técnico). Minha mão foi erguida. Japoneses brasileiros correram para a arena e me ergueram. Por outro lado, Hélio deixava seu braço esquerdo pendendo e parecia muito triste, resistindo a dor.
Em novembro de 1951, Eu fundei a Kokusai Pro Wrestling Association. Depois de eu voltar dos EUA fazendo lutas de pro wrestling, fiz shows de pro wrestling pelo Japão. Nesses dias, Rikidozan também começou uma nova organização chamada Japan Pro Wrestling Association. Então, a mídia de massa começou a falar sobre uma luta Kimura vs Rikidozan. Eu encontrei com Rikidozan e perguntei sua opinião. Ele disse, "essa é uma boa idéia. Nós poderemos conseguir uma fortuna. Vamos fazer!" A primeira luta seria um empate. O vencedor da segunda seria determinado pelo vencedor de um pedra-papel-tesoura. Depois da segunda luta, repetiríams o processo. Nos chegamos a um acordo sobre essa decisão. Quanto ao conteúdo da luta, Rikidozan deixaria eu arremessá-lo, e eu o deixaria me acertar com um golpe de faca da mão. Nós então trocaríamos golpes e arremessos. Porém, quando a luta começou, Rikidozan foi tomado pela ganância do dinheiro e fama. Ele perdeu a cabeça e se tornou um homem louco. quando eu vi ele erguendo a mão, abri meus braços para receber o golpe. Ele desferiu o golpe, mas não no meu peito, e sim no pescoço com toda a força. Eu cai no chão. Ele então me chutou. As artérias do pescoço são tão vulneraveis que não precisaria ser Rikidozan para me causar um knock down. Um colegial poderia infligir um knock down dessa forma. Eu não poderia perdoar essa traição. Aquela noite, recebi um telefonema informando-me que vários yakuza estavam a caminho de Tóquio para matar Rikidozan.

Enm março de 1955, eu fui ao México para fazer lutas de pro wrestling. Oito meses depois, eu fui a França para ensinar Judô durante o dia e fazer Pro Wrestling à noite. Fiz o mesmo em Londres. Depois de passar quase um ano em Paris e Londres, respectivamente, eu fui para a Espanha ensinar Judô e fazer lutas de Pro-Wrestling, e fiquei lá por quatro mêses.
Então voltei a Paris para ensinar Judô por uma semana, e voltei ao Japão em janeiro de 1958. Assim que eu cheguei na estação Kumamoto, eu fiquei surpreso de ver 80 ou 90 mulheres bem vestidas alinhadas. Me perguntei se alguma celebridade tinha chegado a cidade. Minha pergunta foi logo resolvida. Sugiyama, vice presidente do "Cabaré Kimura", tinha alinhado as anfitriãs. Antes de eu partir para o México, eu deixei-o administrando o cabaré. Enquanto trabalhava como dono do cabaré, eu contatei promotores de Pro-Wrestling em Londres, França Alemanha e Brasil. O Sr. Takeo Yano no Brasil me respondeu imediatamente. Ele era da prefeitura de Kumamoto, e tambem um graduado da Chinsei Junior High, oito anos antes de mim. Decidi ir ao Brasil novamente.

"Se você se recusar a lutar hoje, a platéia furiosa vai colocar fogo na arena. Se essa arena for queimada, vou fazê-lo ser o responsável pelos danos., o promotor me disse de maneira agressiva. "Não seja ridículo", Yano rapidamente respondeu, e contiou, "o médico disse a ele para não lutar. Ele não está em condições de luta. A luta deve ser adiada". Eu tinha torcido meu joelho esquero quando demonstrava técnicas de Judô no Rio de Janeiro. Mas a arena já estava lotada, mais de 5000 pessoas estavam esperando fora da arena. A hora da luta começar já tinha passado. A platéia estava vaiando. Para o promotor, o dinheiro era mais importante do que minha lesão. Eventualmente, eu e Yano fomos levados a uma sala onde três policiais negros estavam reunidos. Um homem pequeno apareceu por trás dos policiais, e disse a mim, "você é um japonês, Sr.Kimura, não é? Meu pai também é japonês. A um tempo atrás um boxeador não lutou devido a uma lesão. A platéia então ficou tão furiosa que colocou fogo na arena. A arena queimou por inteira. Ninguém sabe quem começou o incêndio. Além disso, o boxeador foi alvejado com uma pistola em sua volta para casa.
Foi morto instantaneamente. Ninguém sabe também quem disparou nele. Sr. Kimura, é melhor você lutar esta noite. Mesmo se perder, é melhor do que ser morto por tiros." Ele também disse que era o único japonês na cidade, e todo o resto eram negros.

Agora eu tinha que tomar uma decisão. Meu oponente Waldemar Santana era um homem negro de 25 anos, e era um campeão peso-pesado de boxing. Ele era quarto dan em Judô, e também um campeão de capoeira. Tinha 1,83m, um corpo bem proporcional e físico impressionante. Seu peso era próximo de 100kg. A Bahia, onde a luta aconteceu, é uma cidade portuária onde os escravos negros eram descarregados. Os escravos eram proibidos de portarem armas. Como resultado, muitos estilos de artes marciais foram desenvolvidos por eles, eu escutei. Vale Tudo é um desses estilos marciais. No sul de São Paulo, Pro Wrestling é popular. Mas conforme se avança para o norte, mais popular o Vale Tudo se torna. Hélio Gracie, com quem eu tinha lutado previamente, era um campeão em Vale Tudo. Mas Waldemar Santana desafiou-o no ano passado (Nota: 1957), e depois de duas horas e dez minutos, Hélio levou um chute no abdomên, não pôde se levantar, e foi nocauteado. Então, Waldemar se tornou o novo campeão. No Vale Tudo, nenhuma falta é permitida. Uma falta é desqualificação imediata. Não é permitido calçados. Quando os lutadores são separados, não são permitidos golpes com os punhos, e eles tem que golpear com a mãos abertas. Mas assim que entram em contato, qualquer tipo de golpe é permitido com excessão de golpes na região da virilha. Todo tipo de queda e chaves eram permitidas. Já que golpes a punhos nus eram trocados, receber dois ou três golpes no olho significava fim da luta. Me disseram que havia muitos casos em que um lutador foi acertado no olho com uma cotovelada, e o globo ocular saltava da órbita pela metade, e então carregavam-o para o hospital em uma ambulância. Então, havia sempre duas ambulâncias na entrada da arena.
"Eu não tenho escolha, irei lutar." Eu disse. Então, o promotor abriu um sorriso, tirou um formulário e me disse para assiná-lo. Yano traduziu seu conteúdo, que dizia, "Mesmo se eu morrer nessa luta, isso era o que eu desejava, não farei ninguém responsável pela minha morte." Eu acenei, e assinei o formulário. No caminho para o ringue, alguém levantou seu braço e acenou para mim. Era Hélio Gracie, a quem eu não via a vários anos. Hélio estava sentado na área de transmissão por rádio. Ele era comentarista da luta. O gongo soou. Ademar e eu circulamos o ringue primeiramente. Eu levementente extendi meus dedos em uma postura "half-body" (Alguém sabe a tradução desse termo?) e me preparei para seus chutes. Waldemar, também em uma postura half-body, encolheu o queixo e os braços, como faria em uma luta de boxing. De vez em quando, ele desferia chutes altos em direção a minha cabeça. Eu bloqueei os chutes com minhas mãos, e devolvi um chute com minha perna direita. Ademar começou a desferir chutes rodados com ambas as pernas. eu dava um passo para trás e desviava-me deles, mas de repente, recebi um impacto em meu rosto que queimou como fogo. Foi um tapa com a mão aberta. Negligenciei suas mãos, prestando muita atenção aos seus chutes. Fui atingido na têmpora, e o centro da minha visão começou a embaçar, chutes rodados da direita e esquerda vieram. Quando bloqueei seu chute direito com minha mão mãe esquerda, uma dor trementa veio da ponta do meu mindinho até a parte de trás da mão. Tinha esmagado meu dedo. Troquei chutes com ele. A platéia inteira estava de pé com a emoção. Mesmo nessa situação, eu estava apto a pensar claramente. Enquanto pensava "Waldemar está um nível acima de mim tanto em chutes quanto com golpes com a mão aberta. Para vencê-lo, preciso levar a luta para o chão", outro chute atingiu meu abdômen.
Eu golpeei o chute com um golpe de esquerda de faca de mão, e pulei para aplicar uma cabeçada em seu abdômen com um ímpeto capaz de atravessar seu corpo. Isso deve ter afetado-o. Ele cobriu o abdômen, e recuou enquanto balançava. Eu queria chegar perto dele, derrubá-lo, ficar por cima e usar Newaza. Tive sucesso nisso, e pude usar cotoveladas e cabeçadas. Waldemar se recuperou dos danos, e me deu um chute na cabeça novamente. Eu me desviei do chute e me arremessei para um clinch. Eu consegui um clinch apertado para evitar dele usar joelhadas ou cotoveladas. Ficamos nas cordas. De repente, eu recebi um impacto devastador na cabeça, e ouvi um som agudo soar no meu ouvido direito. e fiquei momentaneamente inconsciente. Eu tinha recebido uma cabeçada na têmpora esquerda. Foi uma cabeçada lateral. Eu pensei que todas as cabeçadas viriam da frente. Nunca tive conhecimento de uma cabeçada lateral. "Não posso perder aqui. Devo vencer ou morrer", pensei. Guiado pela vontade, tentei achar um caminho para voltar à luta. O juíz então separou-nos. Já estávamos cobertos por sangue. A luta foi levada para o centro do ringue novamente. Waldemar lançou um tapa com a mão direita. Peguei seu braço e tentei um Ippon-seoi. Parecia que eu poderia conseguir um arremesso limpo. Porém, foi um cálculo equivocado. Estávamos ambos cobertos por suor e muita água tinha sido jogada em nossas cabeças. Além do mais ele não vestia kimono. Não havia como uma técnica assim funcionar nestas condições. Seu braço deslizou, e meu corpo rotacionou no ar e atterisei em minhas costas. "Estraguei tudo!" gritei em minha mente, mas muito tarde. Ademar imediatamente pulou em mim. Se conseguisse subir em meu peito, poderia golpear livremente meus olhos, nariz e peito com cotoveladas. Peguei-o com uma tesoura de corpo. Apertei seu corpo coom toda força na esperança de partir seu intestino. Waldemar desmoronou por um momento, mas não desistiu. Já que a tesoura de corpo não finalizou-o percebi que estava numa posição desvantajosa.
Quando levantei minha cameça, vi centenas de estrelas. Recebi um soco direto entre meu nariz e meus olhos. Foi um golpe bem direcionado. A parte de trás da minha cabeça bateu no tablado.

Além disso, uma forte cabeçada atingiu meu abdômen. Eu senti que meus orgãos iriam se partir em pedaços, Uma, duas vezes, enrijeci meus musculos abdominais para aguentar o impacto, e esperei um terceiro ataque. QUando a terceira cabeçada veio, meu punho direito pegou o rosto de Waldemar de encontro. Acertei entre seu nariz e olhos. Sangue espalhou-se. Eu também estava coberto pesadamente por sangue. O sangue intergeria minha visão. "Mate-o, mate-o!" o demônio em minha cabeça gritava. Waldemar balançou, recuou e tentou correr com as costas nas cordas. Eu persegui-o lançando chutes e golpes de mão aberta. Ele lançou cabeçadas e cotoveladas. Mas, nenhum de nós conseguiu um golpe decisivo. Estávamos exaustos, ou talvez o sangue em nossos olhos preveniram que os golpes fossem certeiros. Depois de passado os 40 minutos, a luta terminou em um empate. Foi minha primeira experiência no Vale Tudo. Naquela noite, meu rosto estava terrivelmente inchado. Tinha cortes no rosto. Toda vez que respirava, uma dor excruciante percorria minha barriga, e não podia dormir. Recebi uma injeção do médico, e refresquei minha barriga com uma toalha molhada à noite. Porém, aprendi uma lição muito importante naquela luta. Que é, nunca deve-se temer a morte. Se eu não tivesse uma vontade de ferro de lutar apesar da possibilidade de ser morto, suas cabeçadas podiam ter partido meu intestino em pedaços.
Eu descansei por uma semana depois dessa luta, e deixei a Bahia para ir para São Paulo. Em São Paulo, um homem gigantesco chamado Gorry Guerrero estava esperando por mim. Ele tinha 1,98m e 200kg, e tinha músculos firmes e fortes. Um dia, um quinto dan em Judô, tentou derrubar Gorry Guerrero por Uchimata. Gorry então levantou o judoka acima de sua cabeça. Depois desse fato, sua reputação como um homem de força sem paralelos se espalhou pelo Brasil. Ele sempre fazia o papel de vilão no Pro Wrestling, mas era querido entre os wrestlers por ser um cara bom e gentil. Um dia, depois de eu terminar uma luta de Pro Wrestling, Gorry Guerrero veio ver-me. Ele disse que tinha lutado muitas vezes contra judokas do Japão, mas quando ele colocava seu peso no judoka quando esse tentava executar um arremesso, o judoka caia como um sapo, e alguns machucaram a coluna por causa disso e foram hospitalizdos. Ele então disse, "Eu aprendi Judô por cerca de 6 anos quando eu era uma criança. Fui ensinado que a essência do Judô é o homem pequeno poder derrubar o homem grande. Eu quero que você me mostre o verdadeiro Judô. Nunca tinha praticado com um homem tão grande. Passei dois ou três dias pensando em quais técnicas usar. Um dia, minha luta de Pro Wrestling acabou cedo, eu e Guerrero nos encarávamos no centro do ringue. Toda platéia tinha ido para casa. A arena estava vazia.

Eum que tinha 1,70m, parecia uma criança balançando um adulto não importava como me movia, e não tinha idéia de como e por onde deveria tentar uma técnica, Não importava quando ele me empurrava com as mãos, eu balançava. Quando ele me puxou para cima, meus pés se ergueram do chão. Ele tentou o-soto-gari com sua perna direita. Eu aguentei a pressão com força total. Eu tive sorte que ele não tentou fazer a transição de o-soto-gari para o-soto-otoshi usando seu peso. Ele tentou o-soto-gari, o-goshi, e ashi-barai. Eu deixei-o atacar e concentrei-me na defesa. Ele devia estar pensando que estava ganhando terreno.
Ele veio para frente com ímpeto. Eu calculei o tempo e iniciei Ippon-seoi. Seu corpo imenso foi carregado em meu quadril. Ele perdeu o centro de gravidade, rolou para frente, e caiu de costas no chão. Quando ele tentou se levantar, derrubei-o três vezes mais em sequência. Ele finalmente fez um gesto de desistência, e disse "obrigado, o Judô verdadeiro é maravilhoso, apesar de tudo" repetidamente.





Note: This excerpt from the book "My Judo" was originally submitted to the Underground Forum in March, 2000. "My Judo" was written in 1984 and was first published on Jan 31, 1985.

Masahiko Kimura VIDEOS Parte 02

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Continuação da série de videos de Kimura.










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Masahiko Kimura VIDEOS

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Essa nova postagem é de uma série de oito videos em japonês contando a targetória de um dos maiores ícones do Judô em todo mundo, Masahiko Kimura.
A série mostra as dificuldades vividas por Kimura após a Segunda Guerra, a doença de sua esposa, os campeonatos de Judô, sua carreira como pro-wrestler e a famosa luta no Brasil com Hélio Gracie.























O Judô e a defessa pessoal. Parte 03

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Em 1918 Lenin criou o Vseobuch, a organizacao responsavel pelo treino do Exercito Vermelho.
Voroshilov, um graduado do exercito foi apontado como o responsavel para organizar o estudo sobre o combate humano.
Ele pensado que a tarefa era "mediocre" e nao querendo se envolver muito pessoalmente criou um grupo chamado Dynamo para o fazer.No grupo Dynamo encontramos A.A. Kharlanpiev, V.A Spiridinov e V.S Oschepkov. Cada um um destes homens foi enviado para varios paises e continentes para estudar as formas de combate locais. A sua busca, com viagens esporadicas para a Russia durou cerca de 10 anos.
O Sambô (em Russo:Cамбо) é uma arte marcial moderna originariamente desenvolvida na União Soviética e reconhecida como esporte pela URSS desde 1938.Ele consta no currículo de ensino de artes marciais das forças especiais soviéticas e desenvolve-se graças a uma extrema pesquisa realizada depois da revolução comunista em uma tentativa de suprimir as tradições marciais dos povos eslavos indígenas que estavam sobre seu domínio.
A intenção era unificar todas essas tradições sobre o controle do Estado que por sua vez se tornaria uma forma de combate e um esporte.
SAMBÔ é um anagrama de "CAMозащита Без Oружия" (SAMozashchita Bez Oruzhiya), que em tradução livre pode significar "autodefesa sem armas". O praticante de Sambô é denominado samboca. Uma outra denominação poderia ser sambista(do Russo самбист - sambist).

O Sambô originou-se da junção de técnicas de autodefesa criadas ao mesmo tempo, porém independentemente, por Vasili Oshchepkov (1892-1937) e Viktor Spiridonov (1881-1943), técnicas estas com o mesmo nome (Sambo) porém com estilos diferentes.



Vasili Oshchepkov judoca



Kharlanpiev estudou os systemas Euro-Asiaticos e Afro-Balticos. Spiridinov estudou sistemas da Mongolia, China e India, e Oschepkov estudou sistemas asiaticos, principalmente japoneses entre eles Judo,Aikido, Karate e Kung-fu.
Na verdade o Sambo provem do systema mao-a-mao russo com a implementacao de tecnicas de cerca de 25 sistemas de wresteling (entre eles Koch, Chidaoba,Gulesh,Pankration, Khapsagay, Akatuj, kuresh) mais algumas de karate, kung-fu, aikido, e tambem ai esta Judo.Este foi o primeiro tipo de Sambo, o Combat Sambo criado para o exercito.Algum tempo depois foi pedido a Spiridinov e a Oschepkov para criar a versao desportiva, ( sport sambo), essa versão muito paresida com o judô olimpico ou desportivo.
Na verdade na historia humana, nunca tinha havido e possivelmente nunca mais havera, uma procura de informacao e um estudo tao grande sobre o combate/luta como aquele foi feito pela maquina comunista nesta altura.
Vasili Oschepkov, ensinou judô e karatê para as forças de elite do Exército Vermelho, na Casa Central do Exército Vermelho. Ele tinha ganhado seu Nidan (faixa preta de segundo grau de então cinco) do fundador do judô, Jigoro Kano, e usou parte da filosofia de Kano na formulação do desenvolvimento inicial da nova arte russo.



Vasili Oshchepkov (foto) foi o melhor aluno de Takeo Hirose, adido militar na Rússia em 1887. . Hirose, na presença do Czar, numa recpção por esse oferecida, foi desacatado por um oficial russo que, ignorando as normas da hospitalidade e da boa educação, afirmou enfaticamente que o japonês só era valente quando em maior número e que o judô nada valia frente a bons lutadores  russos...Hirose, que ingressara no Kodokan em 1886, ao mesmo tempo que freguentava a Escola Naval, prontamente respondeu, em alto e bom som : " Escolha três dos seus melhores lutadores, os mais forte e eu luto com eles onde e quando quiserem". Hirose, com apenas 1.71m. de altura de 71 quilos de peso, derrotou seguidamente os três gigantes russos.Espantados com a facilidade que o oficial japonês os derrotou, os presentes não acreditavam no que viam. A partir daí, Hirouse passou a ensinar judô em terras russas.
Vasili Oshchepkov deu continuidade a implantação do judô naquele país, agora com a colaboração de seu melhor aluno, Viktor Spiridinov. com o advento da guerra entre Japão e Rússia, em 1905, o judô neste país foi transformado na luta russa "sambô".
Viktor Spiridonov (1881-1943) melhor aluno de Vasili Oshchepkov , ele deu continuidade ao ensino do judô que aprendeu com seu antigo professor, ensinava técnicas estas com o mesmo nome (Sambo) porém com estilos diferentes.
O estilo proposto por Spiridonov, um notório pesquisador de lutas, possuía raízes na luta Greco-Romana, luta livre, lutas eslavas, Judô Kodokan, Kurash uzbeque, Khapsagay mongol e diversas lutas chinesas. Spiridonov foi o primeiro a desenvolver técnicas relacionadas ao Sambô. Spiridinov dizia que para vencer é impossível usar apenas um sistema, é necessário que se use tudo que outras técnicas tem de melhor. Um método deve mostra em que direção seguir, mas para ser eficiente não pode ser totalmente rígido. Por isso é preciso deixar claro que existia o SAMBO esporte , que passou a ser divulgado internacionalmente e existia também o SAMBO desenvolvido para uso militar, este é letal e se utiliza até de armas.












A influência Oshchepkov era o Judô Kodokan . O estilo proposto por Oshchepkov é o que mais se assemelha ao Sambo atual. Oshchepkov foi executado em 1937, durante o sistema de expurgos políticos promovidos pelo regime de Stalin.Na verdade Oshchepkov queria ensinar o Sambô a todo povo sem discriminação, o governo de Stalin queria que o Sambo fosse ensinado apenas aos militares, o governo também queria que Oshchepkov negasse qualquer ligação do Sambô Russo com o Judô Japonês.
Anatoly Kharlampiev (1906-1979), aluno de Oshchepkov, aprimorou o estilo proposto pelo mestre, compilando ainda as técnicas de Spiridinov. Foi também o responsável pelo reconhecimento da arte marcial junto ao comitê de esportes da URSS. Por suas contribuições técnicas e políticas, é reconhecido, por vezes, como criador do Sambô contemporâneo .
Entretanto, não há um consenso universal sobre a existência de um criador único do Sambô, mas é visível a influência do Judô Kodokan sobre o Sambô Russo, principalmente nas formas de auto defesa usadas e desenvolvidas na época.
 Nesse documento enviado pelo Kodokan temos a iregistro de Oshchepkov datado em 29 de Outubro de 1911.
Em 1913 ele é graduado faixa preta primeiro dan do Kodokan.
Em 1917 consegue sua promoção de segundo dan também pelo Kodokan.
Podemos ver a clara infuência do Judô na criação do Sambô.

Japão vs Russia

A guerra Russo-japonesa foi provocada pela intenção de conquista da Coréia e da Manchúria por parte dos russos e dos japoneses. Após o Tratado de Shimonoseki, os russos obrigaram os japoneses a restituir Porto Arthur, as tropas russas ocuparam o território e se expandiram pela Manchúria.

Vários acordos diplomáticos foram tentados, então os japoneses tomaram posse do porto, confrontaram e derrotaram seus adversários, essa foi a primeira vez que um país europeu foi superado por uma nação asiática, essa guerra contribuiu para agravar a crise Russa em seu regime Czarista, e posteriormente desencadeou a Revolução Russa, em 1917.Na batalha naval a frota Russa era inferior a japonesa, no confronto terrestre o Japão teve uma larga vantagem em contingente de soldados, enquanto a tropa Russa contavam com 80.000 mil soldados mal preparados, os japoneses possuía 270.000 mil soldados treinados e equipados. Foi em uma desssa batalhas que o oficial da Marinha e membro do Kodokan ,Takeo Hirose  morreu e se tornou Herói de Guerra no Japão.
No dia 27 de maio de 1905, os russos enviaram 38 belonaves ao território japonês, 27 foram derrubadas, no outro dia o saldo da batalha foi: Russos 4.380 mortos, 1.862 feridos, 5.917 prisioneiros, enquanto o Japão teve perdas insignificantes em relação as baixas russas, 117 mortos e 583 feridos.
Com o advento da Guerra a Russia transformou o Judô no "Sambô", negando qualquer influência japonesa., atualmente essa influência é admitida.