"A meta final do JUDÔ KODOKAN é o aperfeiçoamento do indivíduo por si mesmo, desenvolvendo um espírito que deve buscar a verdade através de esforço constante e da sua total abnegação, para contribuir na prosperidade e no bem estar da raça humana" "Nada sob o céu é mais importante que a educação. Os ensinamentos de uma pessoa virtuosa podem influênciar uma multidão; aquilo que foi bem aprendido por uma geração pode ser transmitidas a outras cem." Jigoro Kano

Judo Tradicional (Texto adaptado por José Franco)

1 comentários domingo, 30 de setembro de 2007 às 12:39 - Edit entry?

Bem-vindo ao mundo do judô visto através de outros olhos!
(arvore do judo, ao lado)

Judo teve origem em 1882 por um japonês educacionalista que era na altura o mais famoso no Japão. Jigoro kano (1860-1938) treinou ju-jutsu em diversas escolas e estilos e através dos seus conhecimentos desta arte marcial dividiu um método seguro de pratica física, adicionando certos princípios e completando uma nova filosofia, fazendo do “do” um caminho, Jutsu significa arte, Kano Shihan queria que o seu judo fosse mais do que uma arte, fosse também um método de vida onde todos os judocas pudessem aprender auto-disciplina, psicologia, filosofia e educação em todos os aspectos. A educação para kano era “a comida da vida”. O kodokan foi fundado como instituição educacional, livre de interesses financeiros, com o objectivo de facilitar o estudo e a pratica do judo nos aspectos físico, mental e ético, elevando o judo como científico e progressivo na máxima da “máxima eficiência com esforço mínimo”. GUNJIN KOIZUMI 8ºdan (fundador da união europeia de judo) em “my study judo” Ao descrevermos o judo como desporto é o mesmo que descrevermos Michel Ângelo e Leonardo DA Vinci como pintor de casas e pedreiro. Para kano Shihan o judo era uma forma de educação para a vida. Foi bem ajustada ao dia a dia, enfrentando crises fora do tatami com igual determinação e habilidade mostrada dentro do tatami. Judo é uma vida de estudo do “dô” não começa apenas no início dos treinos e termina com estes, mas sim quando acordamos, durante o dia e até nos deitarmos. Como pensaria Jigoro kano do judo de hoje em dia? Respeitosamente, creio que infelizmente ele não o reconheceria, pois não é nada do que ele começou. Porquê? Existem muitas formas de responder a esta questão, mas vamos abordar algumas. Vencer a todo o custo sem a preocupação de aprender, preocupação material “medalhas”, custou a vida do “tradicional” judo. “A máxima eficiência com esforço mínimo”, foi trocada por muitas horas gastas em ginásios onde se cultiva a “ignorância” dos músculos, tendo sido esquecidos os ensinamentos fundamentais deixados por Kano Shihan. O Kata transformou-se numa pequena palavra lembrada apenas para fazer graduação. Judo é obviamente muito mais que isso, é aprendizagem, pratica, uchicomi(repetições), randori(treino combate),mundo waza( perguntas, leitura), e claro também SHIAI(competição). Shiai é a forma que os judocas têm de verificar a eficiência física e técnica em combate, experimentarem os conhecimentos adquiridos, deve ser visto como uma parte importante do judo, mas nunca apenas a ÚNICA! A parte principal do judo é formar pessoas com carácter, compaixão, não resistência, respeito, fisicamente mostrar-se capaz de ajudar os outros e contribuir para uma sociedade melhor. ”Elevação da arte para um principio”Jigoro Kano “No treino do judo é importante treinar o corpo e cultivar a mente através dos métodos de ataque e defesa e tornar estes os seus princípios, contribuindo através destes para a paz do mundo, sendo este o estudo principal do judo” Jigoro Kano.


Um pouco de História:

No Japão, nos tempos feudais, existiam guerreiros muito famosos, corajosos e fortes que eram os SAMURAI.

Quem eram os Samurais?

Os samurais foram os guerreiros do antigo Japão feudal. Existiram desde meados do século X até a era Meiji no século XIX. O nome "samurai" significa, em japonês, "aquele que serve". Portanto, sua maior função era servir, com total lealdade e empenho, os daimyo (senhores feudais) que os contratavam. Em troca disso recebiam privilégios terras e/ou pagamentos, que geralmente eram efectuados em arroz, numa medida denominada koku (200 litros). Tal relação de suserania e vassalagem era muito semelhante à da Europa medieval, entre os senhores feudais e os seus cavaleiros. Entretanto, o que mais difere os samurais de quaisquer outros guerreiros da antiguidade é o seu modo de encarar a vida e seu código de ética próprio.Inicialmente, os samurais eram apenas cobradores de impostos e servidores civis do império. Eram precisos homens fortes e qualificados para estabelecer a ordem e muitas vezes ir contra a vontade dos camponeses. Posteriormente, por volta do século X, foi oficializado o termo "samurai", e este ganhou uma série de novas funções, como a militar. Nessa época, qualquer cidadão podia tornar-se um samurai, bastando para isso adestrar-se nas artes marciais, manter uma reputação e ser habilidoso o suficiente para ser contratado por um senhor feudal. Assim foi até o xogunato dos Tokugawa, iniciado em 1603, quando a classe dos samurais passou a ser uma casta. Assim, o título de "samurai" começou a ser passado de pai para filho.Após tornar-se um bushi (guerreiro samurai), o cidadão e sua família ganhavam o privilégio do sobrenome.
Além disso, os samurais tinham o direito (e o dever) de carregar consigo um par de espadas à cintura, denominada "daishô" : um verdadeiro símbolo samurai. Era composto por uma espada pequena (wakizashi), cuja lâmina tinha aproximadamente 40 cm, e uma grande (katana), com lâmina de 60 cm. Todos os samurais dominavam o manejo do arco e flechas. Alguns usavam também bastões, lanças e outras armas mais exóticas.Eram chamados de ronin os samurais desempregados: aqueles que ainda não tinham um daimyo para servir ou quando o senhor dos mesmos morria ou era destituído do cargo.Os samurais obedeciam a um código de honra não-escrito denominado bushidô (caminho do guerreiro). Segundo esse código, os samurais não poderiam demonstrar medo ou cobardia diante de qualquer situação.
Havia uma máxima entre eles: a de que a vida é limitada, mas o nome e a honra podem durar para sempre.
Por causa disso, esses guerreiros prezavam a honra, a imagem pública e o nome de seus ancestrais acima de tudo, até da própria vida.
A morte, para o samurai, era um meio de perpetuar a sua existência.
Tal filosofia aumentava a eficiência e a não-hesitação em campos de batalha, o que veio a tornar o samurai, segundo alguns estudiosos, o mais letal de todos os guerreiros da antiguidade.
Talvez o que mais fascine os ocidentais no estudo desses lendários guerreiros é a determinação que eles tinham em freqüentemente escolher a própria morte ao invés do fracasso.
Se derrotados em batalha ou desgraçados por outra falha, a honra exigia o suicídio em um ritual denominado haraquiri ou seppuku.
Todavia, a morte não podia ser rápida ou indolor.
O samurai fincava a sua espada pequena no lado esquerdo do abdômen, cortando a região central do corpo, e terminava por puxar a lâmina para cima, o que provocava uma morte lenta e dolorosa que podia levar horas. Apesar disso o samurai devia demonstrar total autocontrole diante das testemunhas que assistiam o ritual.
A morte, nos campos de batalha, quase sempre era acompanhada de decapitação.
A cabeça do derrotado era como um troféu, uma prova de que ele realmente fora vencido.
Por causa disso, alguns samurais perfumavam seus elmos com incenso antes de partirem para a guerra, para que isso agradasse o eventual vencedor.
Samurais que matavam grandes generais eram recompensados pelos seus daimyo, que lhe davam terras e mais privilégios.
Ao tomar conhecimento desses fatos, os ocidentais geralmente avaliam os samurais apenas como guerreiros rudes e de hábitos grosseiros, o que não é verdade.
Os samurais destacaram-se também pela grande variedade de habilidades que apresentaram fora de combate.
Eles sabiam amar tanto as artes como a esgrima, e tinham a alfabetização como parte obrigatória do currículo.
Muitos eram exímios poetas, calígrafos, pintores e escultores.
Algumas formas de arte como o Ikebana (arte dos arranjos florais) e a Chanoyu (arte do chá) eram também consideradas artes marciais, pois treinavam a mente e as mãos do samurai.

Que ligação têm os Samurais ao Judo?

Os Samurai eram os maiores especialistas em técnicas de combate com e sem armas.
Cada clã tinha uma especialização das suas técnicas de combate.
Uns especializavam-se em arco e flecha (Kyudo), outros em lanças (Naginata), uns andavam a cavalo e outros a pé.
Duma forma geral, os Samurais preparavam-se para não morrer, pois normalmente num combate um dos combatentes não sobrevivia, então, além de serem especialistas no manuseamento de armas, estudavam as artes marciais, nas artes marciais, cada escola (ryu) tinha uma especialização (projecção, imobilização, estrangulamentos, chaves, socos, pontapés, etc) e a denominação comum e geral para cada Ryu (escola) era Jujutsu (Ju) suave (Jutsu) arte, ou seja, eram técnicas que não requeriam muita força.



Após a 2ª Guerra Mundial foram proibidos o uso e transporte das armas Samurai.
Como estas eram o símbolo máximo do Samurai e com a sua abolição, muitos Samurai, ficaram no desemprego e perderam os seus “Senhores”.
Para sobreviver, uns faziam demonstrações públicas, outros lutavam em troca de dinheiro, e com este cenário o Jujutsu ficou muita má reputação, foi considerado deselegante, rude e coisa do passado.

O que é o judo?

O JUDO é uma arte marcial de origem Japonesa.
Judo teve origem em 1882 por um japonês educacionalista que era na altura o mais famoso no Japão.

A palavra Judo traduzida para português significa “caminho suave” JU suave DÔ caminho, via.
Este “caminho” foi idealizado pelo criador do judo, como o caminho da vida!

Como Nasceu o Judo ?

O Dr. Jigoro Kano, fundador do judo, nasceu na cidade de Mikage na prefeitura de Hyogo, em 28 de Outubro de 1860.
Ele era baixo e fraco (falam de 1,58m e 50kg), era frequentemente alvo de agressões e foi com estas características que aos 17anos decidiu iniciar os seus estudos em Jujutsu.
Procurou vários mestres, e tentou convencer um Samurai a ensinar-lhe as suas técnicas, mas este recusou e disse a Kano que Jujutsu era coisa do passado.
Kano, absolutamente convicto continuou a procurar, até que um dia, Sensei Teinosuke Yagi era seu primeiro professor.
Aos 18 anos de idade entrou para o dojo de Tenshin-Shinyo ryu com Sensei Hachinosuke Fukuda, estudou a tradição de Kito ryu sob a orientação de Sensei Iikubo, este adoeceu e viria a morrer mais tarde e foi assim que Kano se apoderou dos seus DENSHO (livros secretos).
Continuou a estudar jujutsu com outros mestres e a meio dos seus vinte e poucos anos, Shihan Kano já conhecia alguns DENSHO (livros secretos) de algumas famosas Ryu (escolas).
Shihan Kano nunca viu as artes marciais como um meio indicador de força ou de superioridade física.Como um pacifista, estudou-os para encontrar uma maneira de viver na paz com outros seres humanos.
Em sua juventude Kano estudou Jujutsu sob um número de mestres diferentes, porém o estudo frequente de diversas escolas deixou-o em busca da perfeição, pois não conseguia encontrar em nenhuma das escolas onde aprendera ,essa perfeição.
A busca de Kano para um princípio unificado para as técnicas que aprendeu conduziu-lhe ao primeiro princípio do judo
Seiryoku Zenyo (eficiência máxima no uso da energia mental e física).
A ele, somente as técnicas que mantinham este princípio de gastar pouca energia física e mental deveriam ser incorporadas no seu sistema.
Ele acreditava que a energia de um oponente se deveria virar contra ele próprio.
Então, através do estudo continuado e compilado de todos os segredos, decidiu criar o seu próprio sistema ou arte (Ryu)
Para Kano, o seu novo sistema era mais que uma arte (jutsu), era a elevação da arte para um princípio, via ou caminho (do)
Este caminho seria o caminho na busca da perfeição técnico e pessoal (judo).
Para ensinar e Propagar a sua arte Kano fundou o Kodokan (a "escola para aprender a maneira") no templo de Eishoji em 1882.

Kano construiu o seu sistema em três bases principais de técnicas e considerou o "seu sistema" o mais eficaz de todos eles, este incluía os maiores segredos das escolas que estudara, como, projectar (nague waza), luta de controlo ( katame waza), golpear com o corpo (atemi waza).
Aproveitou apenas as técnicas mais eficazes.
Retirou as técnicas mais perigosas (para quem as executava), Kano através do seu estudo nas outras Ryu, encontrou técnicas que eram perigosas a quem as executava, que eram úteis em situação de guerra, porém ineficazes na aprendizagem do seu Sistema, e decidiu retirá-las ou alterá-las para o seu sistema.
Criou técnicas novas eficazes de acordo com o seu princípio
Adaptou as que aprendeu com os seus mestres e segredos.
Criou o judogui (fato judo), para uma prática mais segura e evitar as frequentes queimaduras sofridas durante o treino de jujutsu.
Decidiu acabar com a côr preta comummente usada no jujutsu, por o branco ser a côr que inspirava a paz, a pureza, e o dojo ser um local de procura pela “iluminação” espiritual.
Decidiu também que todos deveriam usar apenas o judogui, e retirar o Hakama (saia preta), porque o Hakama era um símbolo de Alta Classe Social, e na prática do judo, todos eram iguais, independentemente dos ideais ou classes sociais.
Criou uma forma estrutural e organizada de ensino de todas técnicas, e dividiu-a por classes e ordem de ensino.
Assim o seu sistema era dividido por secções e consistia numa lógica de ensino do mais fácil ao mais dificíl.
Criou o sistema de graduações Kyu e Dan (cintos abaixo cinto negro e negro)
Criou um código ético moral para todos os alunos e só aprendia judo, quem estivesse disposto a aceitá-lo.

Kano esperava que todos os instrutores e alunos no Kodokan fossem reconhecidos por exemplos de bom carácter, de conduta honesta, que fossem pacifistas e não se envolvessem em confrontos que desonrassem a escola.




Kano criou um sistema de ensino que acreditava contribuir para a Humanidade :

Randori (pratica e teste livre de todas as técnicas )
Kata (formas pré-definidas de defesa e ataque considerando os aspectos rituais e filosóficos da arte)
Ko (leitura sistemática, busca da intelectualidade herdada da classe bushi (guerreira) )
Mondo (períodos de pergunta e resposta, busca de soluções e aperfeiçoamento)


Quantos tipos de Judo existe, qual a diferença do judo na Academia Total Combat?

Nós ensinamos judo tradicional, marcial e não desportivo”
Na realidade judo tradicional, não existe é todo ele!Pois não são conhecidos mais de que um ryu (escolas), além do kodokan.Nós dizemo-nos tradicionais por nos diferenciarmos do "novo Kodokan", preservamos o "Antigo Kodokan", ou por outras palavras o "Kano Ryu."
Para perceberem melhor, aqui vou explicar brevemente as diferenças do "antigo" e "novo" kodokan.
Antes da 2ª guerra mundial o judo era ensinado como arte marcial, e no Kodokan ensinava-se a "verdadeira" arte criada por Jigoro Kano.
Com o inicio da guerra as altas patentes militares pediram a Jigoro kano, para que este ensinasse a sua arte aos militares, para a guerra, e este imediatamente, respondeu que NÃO, pois esse não era o propósito do Judo .Segundo este o Judo servia para preservar a PAZ e não o contrário.
Devido a esta atitude, o kodokan foi mandado encerrar e sensei Kano foi directamente falar com o imperador, e pedir-lhe para que este não utilizasse o"seu" kodokan, para ensinar militares.
O imperador por grande admiração a Kano, concordou, mas com uma resposta muito diplomática lhe disse:"sim, kano, enquanto fores vivo o kodokan não será utilizado",
Curiosamente Jigoro Kano morreu meses mais tarde, "supostamente"de pneumonia a bordo de um navio, quando regressava do Cairo de uma reunião do Comité Olímpico Internacional (interessantes são alguns relatos, que dizem que este nunca foi visto doente a bordo), curioso é também o facto de que logo após a sua morte o kodokan foi reaberto com autorização do governo( novo kodokan), mas apenas para ensino como modalidade desportiva.
Pouco foi o tempo depois para este se tornar "modalidade olímpica" e isto custou a (vida) do velho kodokan.O materialismo apoderou-se dos princípios, e o verdadeiro espírito e arte morreram.
FELIZMENTE, algumas das mais altas graduações do "velho sistema", insistiram em manter os princípios herdados por JIGORO KANO, e institucionalizaram-se sozinhos, apesar de se sentirem sempre um "alvo" a abater por grandes pressões politicas.
Foi desta forma que passaram a chamar o "velho sistema" de TRADICIONAL.Nos correntes dias não são apenas as altas graduações do velho SISTEMA a sofrer pressões,de qualquer tipo, mas somos todos nós, ditos tradicionalistas que renegamos a "lei do materialismo"e preservamos o BUDO como arte e disciplina.

O que vamos aprender no judo:

O judo é uma escola, porém uma escola diferente das normais, é uma escola da vida!

Nesta escola aprende-se a andar, cair, falar, ouvir, tocar, sentir e pensar.
Aprendemos tamben a ter disciplina e controlo de nós próprios.
Aprendemos a escolher o bem em vez do mal.
Aprendemos a respeitar os outros.
Vamos aprender a defendermo-nos, e aos outros.

Quanto a técnicas

Vamos aprender muitas formas de:

Projectar (mandar ao chão) com as mãos, pés, pernas e ancas.
Vamos aprender a dar ataques especiais com as mãos, pés, joelhos e pernas e cotovelos
Vamos aprender a imobilizar (segurar no chão) de muitas formas
Vamos aprender a fazer estrangulamentos no chão e em pé
Vamos aprender a fazer chaves (técnicas que partem os ossos) ás mãos, braços, pernas, pés e dedos
Técnicas de defesa pessoal
Técnicas de reanimação


José Franco
Pinguinhas2001@hotmail.com

Os Samurais (wikipédia)

1 comentários quinta-feira, 27 de setembro de 2007 às 15:04 - Edit entry?

Os samurais (jap: 侍) serviam como soldados da aristocracia do Japão entre 1100 e 1867. Com a restauração Meiji a sua era, já em declínio, chegou ao fim. Sua principal característica era a grande disciplina, lealdade e sua grande habilidade com a katana.


Breve história dos samurais


Os Samurais existiram por quase 8 séculos (séc. VIII ao XIX), ocupando o mais alto status social porquanto existiu a ditadura militar nipônica denominada Shogunato. Pessoas treinadas desde pequenos para seguir o Bushido, o caminho do guerreiro.
O samurai era uma pessoa muito orgulhosa, tanto que se seu nome fosse desonrado ele executaria o harakiri, era preferível morrer com honra do que viver sem honra.
Harakiri, suicídio honrado de um samurai em que usa uma tanto(faca) e com ela enfia no estômago e puxa pra cima cortanto tudo o que tem por dentro. Uma morte dolorosa e orgulhosa.
Inicialmente, os samurais eram apenas coletores de impostos e servidores civis do império. Era preciso homens fortes e qualificados para estabelecer a ordem e muitas vezes ir contra a vontade dos camponeses.
Posteriormente, por volta do século X, foi oficializado o termo "samurai", e este ganhou uma série de novas funções, como a militar. Nessa época, qualquer cidadão podia tornar-se um samurai, bastando para isso adestrar-se no Kobudo (artes marciais samurais), manter uma reputação e ser habilidoso o suficiente para ser contratado por um senhor feudal. Assim foi até o xogunato dos Tokugawa, iniciado em 1603, quando a classe dos samurais passou a ser uma casta. Assim, o título de "samurai" começou a ser passado de pai para filho.
Um grande samurai foi Miyamoto Musashi, um guerreiro que veio do campo, participou da batalha de Sekigahara e iniciou um longo caminho de aperfeiçoamento. Ele derrotou os Yoshioka em Kyoto e venceu o grande Sasaki Kojiro, outro grande samurai.
Pelo fim da era Tokugawa, os samurais eram burocratas aristocráticos ao serviço dos daimyo, com as suas espadas servindo para fins cerimoniais. Com as reformas da era Meiji, no final do século XIX, a classe dos samurais foi abolida e foi estabelecido um exército nacional ao estilo ocidental. O rígido código samurai, chamado bushido, ainda sobrevive, no entanto, na atual sociedade japonesa, tal como muitos outros aspectos do seu modo de vida.
Os Samurais, como classe social, deixaram de existir em 1868, com a restauração Meiji, quando o imperador retomou o poder do país.
Seu legado continua até nossos dias, influenciando não apenas a sociedade japonesa, mas também o ocidente.


Nomenclatura

O nome "samurai" significa, em japonês, "aquele que serve". Portanto, sua maior função era servir, com total lealdade e empenho, os daimyo (senhores feudais) que os contratavam. Em troca disso recebiam privilégios terras e/ou pagamentos, que geralmente eram efetuados em arroz, numa medida denominada koku (200 litros).
Um termo mais apropriado para Samurai é bushi (武士) (significando literalmente "guerreiro ou homem de armas") que era usado durante o período Edo. No entanto, o termo "Samurai" refere-se normalmente à nobreza guerreira e não por exemplo à infantaria alistada. Um samurai sem ligações a um clan ou daimyō era chamado de ronin (literalmente "homem-onda"). Rōnin são também samurais que largaram a sua honra ou aqueles que não cumpriram com o seppuku, que significa dividir a barriga, de modo a repôr a honra do seu clan ou família. Samurais ao serviço do han eram chamados de hanshi.
Era esperado dos Samurais que eles não fossem analfabetos e que fossem cultos até um nível básico, e ao longo do tempo, durante a era Tokugawa (também chamada de período Edo), eles perderam gradualmente a sua função militar.
Tal relação de suserania e vassalagem era muito semelhante à da Europa medieval, entre os senhores feudais e os seus cavaleiros. Entretanto, o que mais difere o samurai de quaisquer outros guerreiros da antiguidade é o seu modo de encarar a vida e seu peculiar código de honra e ética.
Após tornar-se um bushi (guerreiro samurai), o cidadão e sua família ganhavam o privilégio do sobrenome. Além disso, os samurais tinham o direito (e o dever) de carregar consigo um par de espadas à cintura, denominado "daishô": um verdadeiro símbolo samurai. Era composto por uma espada pequena (wakizashi), cuja lâmina tinha aproximadamente 40 cm, e uma grande (katana), com lâmina de 60 cm.
Todos os samurais dominavam o manejo do arco e flechas. Alguns usavam também bastões, lanças e outras armas como a foice e corrente(kusarigama)e jutte.
Eram chamados de ronin os samurais desempregados: aqueles que ainda não tinham um daimyo para servir ou quando o senhor dos mesmos morria ou era destituído do cargo.
Os samurais obedeciam a um código de honra não-escrito denominado bushidô (caminho do guerreiro). Segundo esse código, os samurais não poderiam demonstrar medo ou covardia diante de qualquer situação.
Havia uma máxima entre eles: a de que a vida é limitada, mas o nome e a honra podem durar para sempre. Por causa disso, esses guerreiros prezavam a honra, a imagem pública e o nome de seus ancestrais acima de tudo, até da própria vida.
A morte, para o samurai, era um meio de perpetuar a sua existência. Tal filosofia aumentava a eficiência e a não-hesitação em campos de batalha, o que veio a tornar o samurai, segundo alguns estudiosos, o mais letal de todos os guerreiros da antiguidade.
Talvez o que mais fascine os ocidentais no estudo desses lendários guerreiros é a determinação que eles tinham em freqüentemente escolher a própria morte ao invés do fracasso. Se derrotados em batalha ou desgraçados por outra falha, a honra exigia o suicídio em um ritual denominado harakiri ou seppuku. Todavia, a morte não podia ser rápida ou indolor. O samurai fincava a sua espada pequena no lado esquerdo do abdômen, cortando a região central do corpo, e terminava por puxar a lâmina para cima, o que provocava uma morte lenta e dolorosa que podia levar horas. Apesar disso o samurai devia demonstrar total autocontrole diante das testemunhas que assistiam o ritual.
A morte, nos campos de batalha, quase sempre era acompanhada de decapitação. A cabeça do derrotado era como um troféu, uma prova de que ele realmente fora vencido. Por causa disso, alguns samurais perfumavam seus elmos com incenso antes de partirem para a guerra, para que isso agradasse o eventual vencedor. Samurais que matavam grandes generais eram recompensados pelos seus daimyo, que lhe davam terras e mais privilégios.
Ao tomar conhecimento desses fatos, os ocidentais geralmente avaliam os samurais apenas como guerreiros rudes e de hábitos grosseiros, o que não é verdade. Os samurais destacaram-se também pela grande variedade de habilidades que apresentaram fora de combate. Eles sabiam amar tanto as artes como a esgrima, e tinham a alfabetização como parte obrigatória do currículo. Muitos eram exímios poetas, calígrafos, pintores e escultores. Algumas formas de arte como o Ikebana (arte dos arranjos florais) e a Chanoyu (arte do chá) eram também consideradas artes marciais, pois treinavam a mente e as mãos do samurai.
O caminho espiritual também fazia parte do ideal de homem perfeito que esses guerreiros buscavam. Nessa busca os samurais descobriram o Zen-budismo, como um caminho que conduzia à calma e à harmonia.
"Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória, sofrerá uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas..." - A Arte da Guerra, Sun Tzu
"Para ser considerado guerreiro, é preciso aprender a aceitar a própria morte de forma corajosa e natural." - O Livro dos Cinco Anéis, Miyamoto Musashi

Artes Marciais dos Samurais
Se numa classe guerreira qualquer a preocupação com o treinamento militar, que dirá para o samurai. Através das artes marciais, fortalecida tanto a sua técnica quanto o seu espírito. Mais do que acertar um alvo com sua flecha ou cortar algo com sua espada, um samurai sempre visava refinar seu espírito, com a autodisciplina e o autocontrole, para assim estar sempre preparado para as situações mais adversas possíveis.
Tal preocupação com o espírito que salvou as artes Samurai a se salvar de sua extinção na Restauração Meiji (época em que os samurais viraram burocratas a serviço do governo). O Kobudo, como são conhecidos os estilos de combate criados pelos samurais ainda é praticado até nossos dias. O Kobudo envolve uma grande gama de armas diferente e técnicas, como o Kenjutsu (arte de combater com espadas, Iaijutsu (arte de desembainhar a espada em combate]], Naginatajutsu (luta com alabarda), Sojutsu ou Yarijutsu (arte da lança), Jojutsu e Bojutsu (arte do bastão) e Jujutsu (luta desarmada).
A maioria destas artes tiveram versões modernizadas (Gendai Budo) no século XX, como o Kendo, Iaido, Jodo e Judo por exemplo. Tanto o Kobudo como o Gendai Budo são praticados hoje em dia, muitas vezes se complementando.

Mitsuyo Maeda (Conde Koma)

1 comentários sexta-feira, 14 de setembro de 2007 às 12:51 - Edit entry?

Mitsuyo Maeda nasceu em 1878 na província de Aomori (bem ao norte da ilha de Honshu) e não era de origem nobre, tendo sido um estudante medíocre; ele chegou em Toquio com 18 anos (1897), onde iniciou seus treinos em artes marciais, sendo que o Kodokan possui o registro de sua matrícula desse mesmo ano de 1897. Ou seja, não há nenhuma possibilidade de que ele tenha estudado Ju-Jutsu tradicional , ele começou mesmo treinando judô Kodokan, e logo foi considerado o mais promissor dos estudantes de judô. Mitsuyo Maeda, foi diretamente treinado no Kodokan, pelo inteligente Tomita, e também pelo fortísimo Yokoyama.
Em 1904 ele e seu professor Tsunejiro Tomita foram aos EUA para demonstrações de judô, e ao contrário do que dizem, Maeda não se encontrou com o presidente Roosevelt na Casa Branca (na verdade, quem foi instrutor de judô de Roosevelt foi o lendário mestre Yoshitsugo Yamashita) Os registros da época mencionam apenas que o Consul Uchida, acompanhado de Tomita e Maeda, foram a West-Point para dar uma palestra e fazer uma exibição.
Tomita e Maeda demonstraram os movimentos do Judô, formalmente (wazas, katas), ou seja não fizeram uma luta ou treino livre (randori). Naturalmente, Tomita sendo menor e mais idoso, foi ele o Tori (quem aplicava os golpes) e Maeda o Uke (quem os recebia). Os militares americanos viam sem entusiasmo e, provavelmente, com desconfiança. Pediram então que aplicassem aquilo com eles... Maeda derrubou um cadete e o finalizou com facilidade. Mas insistia-se que o maior de todos os cadetes (um campeão de futebol americano), enfrentasse o velho Tomita. Diziam eles: "Queremos que lute com aquele ali, pois afinal, ele derrubou o outro como peteca!"
Tomita aceitou e parece ter falhado na aplicação do tomoe-nague, quando o gigante musculoso lançou-se sobre ele, Tomita calculou mal e o gigante americano ficou por cima, sem que Tomita saísse, por um tempo.
O incidente foi interpretado como uma grande derrota, e dizem alguns que foi o que inspirou Maeda a passar a lutar desafios. Mas a prática de japoneses desafiando lutadores orientais já era corrente, e creio que Maeda foi para o Ocidente já de olho nisso.
Depois disso ele deu aulas de judô na Universidade de Princeton em NY, mas aí ele começou a aceitar desafios de lutadores de outros estilos (boxe, luta-livre e etc). O Kodokan passou a não tolerar mais a participação de desafios, bem mais tarde, só depois da década de 1920, quando começara um esforço para transformar o Judô em esporte olímpico. Naquela época, o Kodokan queria mais era provar que o Judô era superior às formas de luta ocidental.
Quanto a Theodore Roosevelt, este foi discípulo de outro japonês da elite do Kodokan, Yoshitsugo Yamashita.
Foi Yamashita quem enfrentou lutadores de Luta-Livre na Casa Branca, na presença de Roosevelt, porém não se tem notícia de que tenha sido derrotado. Há um relato segundo o qual Yamashita aplicou, de certa feita, um juji-gatame num gigantesco lutador americano, que preferiu não bater, e teve o braço fraturado.
Yamashita era da primeira geração do Kodokan, como Tomita. Porém, Tomita era mais velho e menos dotado, tecnicamente. Como tinha talento administrativo, Tomita era encarregado da parte burocrática, no Kodokan. Era o secretário de Kano.
Yamashita, embora inteligente e escolado, era um lutador de primeira, e fazia 1.000 treinos livres (randori) por ano. Tinha uma perna toda arrebentada, por causa da dureza dos treinos e vários golpes novos surgiam no Kodokan, em função de adaptações que ele era obrigado a fazer, para seguir seus treinos livres, apesar da perna arrebentada.
Graças à influência de Roosevelt (e contra os desconfiados militares), Yamashita foi contratado em 1905 para ensinar na Academia Naval de Annapolis, contrato este renovado por um ano, de novo por pressão de Roosevelt. No ano seguinte, Yamashita voltou ao Japão.
Depois de 1920 quando começa os esforços para trasformar o judô em esporte olímpico ficou estritamente proibidoaceitar desafios pelas regras do Kodokan. Nesse ponto, há uma dúvida: no fim da vida, o próprio Maeda dizia a outros japoneses que se arrependia de ter feito isso, pois por esse motivo ele tinha sido expulso do Kodokan, mas vários pesquisadores não encontraram nos arquivos do Kodokan nenhum documento que provasse que tal expulsão tivesse de fato ocorrido. De qualquer modo, nesse ponto parece que acabam os laços de Maeda com o Kodokan e começa a carreira "artística do Conde Koma”...
Maeda passou a utilizar esse nome em 1908, na Espanha, para poder desafiar um outro lutador japonês de judô que estava por lá sem ser reconhecido: em japonês, o verbo "komaru" significa "estar em situação delicada" - o que era seu caso, pelo menos do ponto de vista financeiro - ele tirou a última sílaba da palavra e ficou apenas com Koma, acrescentanto a palavra "Conde" (em espanhol mesmo) por sugestão de um amigo espanhol.
Maeda participou de vários torneios de luta-livre, wrestling e etc. E, embora tenha perdido pelo menos 2 lutas, ele parece ter vencido na maioria das vezes (há poucos registros históricos confiáveis de suas lutas). Mas onde existem, esses registros nos dão uma informação preciosa de seu estilo de lutar: Ele geralmente atacava o adversário com "low-kicks"(mae-geri-gedan) e cotoveladas para depois finalizar os adverssários no chão. Na vedade, esse era o estilo utilizado por muitos lutadores do Kodokan no início do século...
No Brasil existe uma controvérsia sobre a chegada de Maeda no país, alguns autores adotam datas diferentes para a sua chegada, como Calleja (1979) que cita final da década de 20 e início da de 30, Virgílio, (1986), início da década de 20, Soares (1977), determina 22, junto com Hunger et al. (1995), entre outros autores, recentemente, porém, em artigo na revista Judô, Rildo Heros Barbosa de Medeiros , relata a chegada do Conde Koma, através da cópia do passaporte de Maeda cedido por Gotta Tsutsumi (Presidente da Associação Paramazônica Nipako de Belém, revela que sua chegada ao Brasil teria sido em Porto Alegre no dia 14 de novembro de 1914. No Brasil ele teria percorrido o caminho de Porto Alegre onde teria se exibido pela primeira vez, seguindo depois para o Rio de Janeiro, São Paulo , Salvador, Recife, São Luiz, Belém (outubro de 1915) e finalmente em Manaus, no dia 18 de dezembro do mesmo ano. "A primeira apresentação do Grupo Japonês em Manaus, intermediado pelo empresário Otávio Pires Júnior, foi em 20 de dezembro de 1915, no teatro Politeama", sendo apresentadas técnicas de torções, defesas de agarrões, chaves de articulações, demonstração de armas japonesas e desafio ao público. Maeda teria também oferecida seus serviços para "a Academia Militar e o Exército, os quais incorporaram a prática do Judô no treinamento dos Militares".Maeda firmou-se em Belém, por se tratar do porto mais próximo uma vez vindo por via marítima através do Pacífico. Conde Koma então já era sensei da escola Kodokan de judô no Japão e possuía graduação de faixa preta com o sexto dan.Em1986, Maeda criou uma escola em Belém do Pará, onde teve relativo sucesso, sendo que falecera nesta cidade em 1941. De vários alunos que frequentaram sua academia, restou apenas a família Grace para dar continuidade ao seu trabalho.
Maeda ensinou Carlos Gracie em virtude da afinidade com seu pai, Gastão Gracie. Carlos por sua vez ensinou a seus demais irmãos, em especial a Hélio Gracie. Neste ponto surgem duas teorias. A primeira alega que Maeda ensinou somente o judô de Jigoro Kano a Carlos, e esse o repassou a Hélio, que era o mais franzino dos Gracie, adaptando-o com grande enfoque no Ne-Waza - técnicas de solo do judô, ponto central do Gracie jiu-jitsu ou brasilian jiu-jitsu.
Para compensar seu biotipo, a partir dos ensinamentos de Carlos, Hélio aprimorou a parte de solo pelo uso do dispositivo de alavanca, dando-lhe a força extra que o mesmo não dispunha. A segunda teoria, apoiada pelos Gracies, fala que Maeda era, também, exímio praticante de ju-jutsu tradicional e foi essa a arte que ensinou aos brasileiros. Porém, em uma recente entrevista, Hélio Gracie afirma que "Carlos lutava judô’, veja a entrevista http://www.youtube.com/watch?v=BG309oqVLb4


colaborou com a pesquisa Pablo Peres.

A Evolução do Judô Kodokan

1 comentários quinta-feira, 13 de setembro de 2007 às 12:36 - Edit entry?

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(para saber mais clique nos links e acesse a Wikipédia )


Entrada Principal do Kodokan
Em fevereiro de 1882, no templo de Eishoji de Kita Inaritcho, bairro de Shimoya em Tóquio, Jigoro Kano inaugura sua primeira escola de judô, denominada Kodokan (Instituto do Caminho da Fraternidade), já que "Ko" significa fraternidade, irmandade; "Do" significa caminho, via; e "Kan"
instituto.
A Kodokan estava localizada no segundo andar de um templo budista Eishoji de Kita Inaritcho, onde havia doze jos (jo medida de superfície, módulo de tatame). O primeiro aluno inscreveu-se em 05 de junho de 1882, chamava-se Tomita. Depois vieram Higushi, Arima, Nakajima, Matsuoka, Amano Kai e o famoso Shiro Saigo (Sugata Sashiro). As idades oscilavam entre 15 e 18 anos. Kano albergou-se e ocupou-se deles como se fosse um pai. Foi um período difícil, mas apaixonante, o jovem professor não tinha dinheiro e o shiai-jo media 20m², mas a escola progrediu e em breve tornou-se célebre.


A Evolução do Judô Kodokan
Durante alguns anos, o idealizador do moderno ju-jutsu atravessou uma difícil fase, principalmente pela quase ausência de recursos financeiros para a manutenção da academia.
Os mais temidos lutadores da época, impulsionados pela inveja, não se cansavam em desafiar os discípulos de Jigoro Kano. Houve muitos encontros memoráveis com o intuito de testar a eficácia do Judô Kodokan.
Certa vez um lutador, conhecido por Tanabe, venceu os melhores alunos de Jigoro Kano. Tratava-se de um grande especialista em técnicas de shime-waza (estrangulamentos), aplicadas no solo. Tão logo um judoca o projetasse, Tanabe encaixava-lhe um estrangulamento. Dessas derrotas, Kano aprendeu uma grande lição. Era necessário aprimorar o judô nas técnicas de domínio, particularmente as desenvolvidas na luta de solo. Tanabe foi o único lutador que conseguiu vencer os discípulos de Kano.
Os alunos do Kodokan tinham fama de serem imbatíveis. Por isso, eram insistentemente desafiados. Aqueles que conseguiam uma vitória sobre um dos alunos da Kodokan, na certa, cresciam em fama.
Naquela época utilizava-se ainda, o sistema de luta por desistência. Um dos combates que ficou na história foi o de Shiro Saigo contra o mais temido cultor de ju-jutsu da Yoshin-Ryu, numa memorável luta, que parecia interminável. A propósito de Shiro Saigo, foi escrito um belíssimo romance de aventura, contando as suas proezas no judô, com o nome de Sugata Sanshiro, inclusive serviu de enredo a vários filmes.
Mas foi só no final de 1886, após uma célebre competição, contra várias escolas de ju-jutsu, organizada pela polícia, que definitivamente ficou constatado o grande valor do Judô Kodokan. O resultado dessa jornada constituiu-se num marco decisivo na aceitação do judô, com o reconhecimento do povo e do governo que passaram oficialmente a prestigiar o Judô Kodokan. Depois da célebre vitória de 1886, como ficou conhecida, o Judô Kodokan começou a progredir com passos confiantes.
A fórmula técnica do Judô Kodokan foi completada em 1887, enquanto a sua fase espiritual foi gradativamente elevada até a perfeição, aproximadamente, em 1922. Nesse ano a Sociedade Cultural Kodokan foi inaugurada e um movimento social foi lançado, com base nos axiomas Seryoku Zen’Yo (máxima eficácia) e Jita Kyoei (prosperidade e benefícios mútuos).
Entretanto, em 1897, quando a Kodokan estava instalada em Shimotomizaka, possuindo uma área de 207 tatames, o governo japonês funda uma escola nacional, que congregaria todas as artes marciais, a Butokukai.
Apesar de Jigoro Kano ter idealizado o judô, em pouco tempo a Butokukai tornar-se-ia uma respeitável rival da Kodokan. Posteriormente, as escolas superiores e profissionais da Universidade de Tóquio fundariam uma outra entidade, a Kosen. Como é fácil adivinhar, a Butokukai e a Kosen começaram a competir com a Kodokan. A Kodokan tinha perdido a sua hegemonia, por outro lado, era o judô que ganhava um maior número de praticantes.
Jigoro Kano, com a finalidade de iniciar uma campanha de divulgação do judô, no ocidente, em 1889, visita a Europa e os Estados Unidos da América, proferindo palestras e demonstrações.
Em 1909, um fato marcante parecia devolver a hegemonia do judô a Kodokan. O governo japonês resolve tornar a Kodokan uma instituição pública, uma vez que a prática do judô estava tendo ótima aceitação.
Com a mulher japonesa começando a entusiasmar-se pela prática do judô, em 1923, a Kodokan inaugurou um departamento feminino. Em 1934, a Kodokan estaria instalada em edifício de três andares, ocupando uma área de 2000m², aproximadamente.
Nessa época o judô começava a ser introduzido em quase todas as nações civilizadas do mundo, todavia, no ocidente o termo ju-jutsu ainda era empregado, embora o nome Jigoro Kano fosse citado.
Em 1937, o Conselho da Indústria do Turismo, órgão do governo japonês, editava a tradução em inglês do primeiro livro escrito por Jigoro Kano denominado Judô (Ju-Jutsu).
Nessa obra o judô é abordado sob vários aspectos inclusive tecia inúmeras considerações sobre o atemi-waza (técnicas de ataque a pontos vitais), todavia, nenhuma linha era escrita sobre as regras de competições.
Como em 1938, o Japão começava a sentir a guerra, os militares deram um valor especial às chamadas artes marciais, que começaram a ser praticadas em todo Japão, com um real espírito guerreiro (bushido). A Butokukai recebia alunos de todas as partes do Japão para a cultura do ju-jutsu, do kendô (espécie de esgrima japonesa), do karatê e do kyudô (arte de atirar flechas), para uma real aplicação durante a guerra.
Após a guerra, todas as atividades que inspirassem o bushido, foram proibidas pelos norte-americanos. Os japoneses não mais podiam praticar o judô. Entretanto, em 1946, os professores da Kodokan foram autorizados a ensinar o judô às tropas norte-americanas. Conhecendo o real espírito do judô de Jigoro Kano, os norte-americanos liberaram a sua prática, inclusive nas escolas, por não a considerar uma perigosa arte marcial, tempos depois.
Em 1948, é fundada a Federação Nacional de Judô, iniciando-se os primeiros campeonatos de âmbito nacional, depois da guerra. A Butokukai havia sido definitivamente interditada e a Kosen, ficaria subordinada a Kodokan.
Em março de 1958, é inaugurado o novo Instituto Kodokan, denominada Meca do judô mundial, num edifício especialmente construído para a organização e a administração do judô, no Japão e no mundo, com um dojo de 500 tatames e seis outros menores, sendo três com 108 tatames e outros três com 54 tatames, que seriam utilizados para os mais diversos objetivos do ensino e do treinamento, com departamentos especiais para crianças, mulheres, estudantes, competidores de alto nível e estrangeiros, além de abrigar dependências para toda à parte de administração, alojamento, restaurante, totalizando 41 áreas específicas.